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Facções criminosas ampliam domínio em cidades da Amazônia

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Um novo relatório da FBSP revela que 344 dos 772 municípios que compõem a Amazônia Legal (ou seja, cerca de 44,6% da região) apresentam alguma evidência da presença de facções criminosas. A expansão da ação desses grupos representa avanço substancial em relação aos levantamentos anteriores.

De acordo com o estudo, desses 344 municípios sob influência ou presença de facções, 258 (33,4%) enfrentam atuação de uma única organização criminosa, enquanto 86 (11,1%) convivem com ao menos duas facções disputando território, cenário que aponta para zonas de conflito e instabilidade.

O levantamento também identifica que a facção Comando Vermelho (CV) alcançou 286 municípios com sinais de sua presença, o grupo se tornou, segundo o relatório, o mais disseminado na Amazônia Legal.

Em paralelo, o Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece como força estratégica em cerca de 90 municípios, segundo outra fonte.

Estados da região revelam níveis alarmantes de penetração criminal: no Acre, todos os 22 municípios (100 %) registraram presença de facções; em Roraima 86,7 % dos municípios; em Mato Grosso, 65,2 % dos 92 municípios monitorados.

O relatório destaca que essas organizações passaram a combinar o negócio tradicional de tráfico de drogas com atividades de extração mineral, garimpo ilegal e crime ambiental, especialmente em Terras Indígenas.

Os autores do estudo apontam que a Amazônia Legal ganhou papel de corredor estratégico para o crime organizado, logística de drogas, armas, ouro e madeira estariam sendo articuladas a partir da região, com uso de rotas fluviais, áreas de fronteira e portos.

O relatório indica que municípios que servem como entroncamentos logísticos (rios, fronteiras, estradas) sofrem com taxas de homicídios violentos intencionais elevadas.

Um dos exemplos mapeados é o município de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), que registrou aumento da ordem de 250% nas mortes violentas entre 2022 e 2024, cenário que o estudo associa à atuação de garimpo irregular, presença de facções e fronteira com a Bolívia.

O relatório divulgado pela FBSP chama atenção para três pontos principais: primeiro, a rápida expansão territorial das facções na Amazônia; segundo, a crescente convergência entre crime organizado, meio-ambiente e extração ilegal de recursos; terceiro, a emergência de fronteiras internas e externas (fluviais, terrestres e aéreas) como novas zonas críticas de insegurança.

Fonte: Diário do Poder