Em depoimento à Comissão de Segurança Pública do Senado, o perito criminal Eduardo Tagliaferro, que já chefiou a ‘Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação’ (AEED) do ‘Tribunal Superior Eleitoral’ (TSE), acusou Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de definirem antecipadamente quem seria alvo de processos.
Segundo Tagliaferro, os procedimentos eram conduzidos de forma “inversa”: primeiro estabeleciam-se os nomes a serem investigados e decretavam-se as buscas, para só depois elaborar os indiciamentos e denúncias com base no material recolhido.
O ex-assessor afirmou ter recebido ordem do então secretário-executivo da Procuradoria-Geral Eleitoral, Lucas Renan Silva, a mando de Paulo Gonet, “sobre o assunto que o Doutor Paulo (Gonet) tratou com o ministro Alexandre (de Moraes) hoje cedo”.
Em seguida, completou: “O que era o pedido? para enviar um número gigantesco de pessoas que o TSE e o STF colocaram para frente.”
Ele detalhou que o procedimento contrariava a lógica jurídica: “Na verdade, o processo ele foi ao contrário. O processo se estarta de uma investigação, de uma denúncia, e não de um magistrado pegando uma sentença e montando todo o processo (ao) inverso. Pediu para orientar quem seriam as pessoas que seriam denunciadas”, relatou, mencionando ainda que se tratava de um “pacotinho de 100, 200 pessoas”.
Tagliaferro declarou que o material solicitado foi enviado diretamente a Paulo Gonet e apresentou aos senadores a mensagem encaminhada, incluindo o número de telefone do PGR. Na mesma audiência, também mostrou documentos que, de acordo com ele, foram falsificados para dar base às operações de busca e apreensão contra empresários ligados ao bolsonarismo, como o bilionário Luciano Hang.
(Foto: EBC; Fonte: Cláudio Dantas)











