Por Manuel Menezes
Na política, intenção de voto chama atenção. Mas existe um indicador que muitas vezes diz muito mais sobre o futuro de uma candidatura: a rejeição.
E os números divulgados recentemente pela Pontual Pesquisas acendem um alerta difícil de ignorar para qualquer projeto político que pretenda disputar o Governo do Amazonas em 2026. Segundo o levantamento, o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, aparece com 40,3% de rejeição, liderando com folga esse quesito entre os principais nomes colocados para a disputa estadual.
Muitos políticos gostam de destacar apenas os números que lhes favorecem. Mostram intenção de voto, crescimento em determinados cenários e apoios políticos. Mas evitam falar da rejeição.
O problema é que rejeição alta não funciona como simples oscilação eleitoral.
Ela representa um teto.
Representa uma barreira.
Representa um grupo de eleitores que já tomou uma decisão antecipada: não votar naquele candidato de jeito nenhum.
E esse talvez seja um dos maiores desafios de qualquer disputa majoritária.
Uma eleição para governador não se vence apenas com uma base fiel. Ela exige capacidade de ampliar apoios, reduzir resistências e conquistar setores que ainda estão indecisos.
Quando um candidato entra numa disputa carregando um índice de rejeição tão elevado, o caminho naturalmente se torna mais difícil.
Isso não significa que uma candidatura esteja morta.
Política não funciona de forma matemática.
Campanhas mudam cenários, alianças mudam percepções e acontecimentos alteram o humor do eleitorado.
Mas ignorar a rejeição seria um erro estratégico enorme.
O dado também revela algo importante sobre o sentimento da população.
Grande parte dessa resistência parece estar ligada à avaliação que muitos eleitores fazem da gestão municipal dos últimos anos em Manaus. Problemas urbanos, infraestrutura, mobilidade, saúde e desgaste administrativo acabam inevitavelmente influenciando a imagem de quem pretende dar um salto político maior.
O eleitor costuma fazer uma pergunta simples:
“Se não resolveu onde governou, por que resolveria em uma responsabilidade ainda maior?”
É uma pergunta dura, mas legítima.
Ao mesmo tempo, o levantamento mostra outro aspecto interessante do cenário amazonense: a disputa continua extremamente aberta.
Nenhum grupo político pode se considerar confortável.
Nenhum candidato pode acreditar que já está eleito.
E nenhum adversário pode ser subestimado.
O Amazonas vive um momento em que o eleitor parece cada vez mais disposto a avaliar resultados concretos em vez de apenas discursos.
Talvez seja exatamente por isso que as pesquisas estejam mostrando um cenário tão competitivo.
No final das contas, a rejeição elevada não é apenas um problema eleitoral.
Ela é um recado.
Um recado de que existe insatisfação.
Um recado de que parte da população quer respostas.
E um recado de que, em 2026, não bastará ter estrutura política, alianças ou marketing.
Será preciso convencer o eleitor de que os erros do passado não serão repetidos no futuro.
Porque pesquisa mede números.
Mas rejeição mede confiança.
E confiança continua sendo um dos ativos mais valiosos — e mais difíceis de recuperar — na política.
