EDITORIAL: Não sou de esquerda, não sou de direita. Sou do Amazonas.

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Por Manuel Menezes

Vivemos uma época em que parece impossível expressar uma opinião sem ser imediatamente colocado em uma prateleira ideológica. Se você critica um político da esquerda, logo é chamado de bolsonarista. Se aponta erros de um político da direita, rapidamente vira petista. Para muitos, não existe mais espaço para a independência, para a crítica honesta ou para a defesa de ideias sem rótulos.

Ao longo da minha trajetória no jornalismo, aprendi que a missão de quem comunica não é agradar grupos políticos, mas informar a população e fiscalizar o poder. E isso vale para qualquer governo, qualquer partido e qualquer liderança pública.

Infelizmente, parte da sociedade passou a enxergar a política como uma disputa de torcidas organizadas. Nessa lógica, não importa o que está sendo dito, mas quem está dizendo. Não importa se a denúncia é verdadeira ou se a crítica é justa. O que importa é saber se ela atinge alguém da esquerda ou da direita.

Eu me recuso a entrar nesse jogo.

Não acredito que um político se torne imune a críticas apenas porque veste uma determinada camisa ideológica. Também não acredito que erros devam ser ignorados porque beneficiam o grupo político que alguém apoia. O compromisso de quem trabalha com informação deve ser com os fatos, não com partidos.

O Amazonas enfrenta desafios enormes. Precisamos discutir saúde, educação, infraestrutura, geração de empregos, desenvolvimento econômico e qualidade de vida. Precisamos debater o futuro dos nossos municípios, das nossas comunidades rurais, dos nossos ribeirinhos e das famílias que lutam diariamente para construir uma vida melhor.

Mas muitas vezes esses temas acabam ficando em segundo plano porque a discussão política se transforma em uma guerra de narrativas, ataques pessoais e fanatismo.

Não me interessa se alguém se define como de direita ou de esquerda. Não me interessa a cor da bandeira que carrega nem o político que escolheu apoiar. O que me interessa é saber se suas ações ajudam ou prejudicam o povo amazonense.

Quando uma decisão beneficia o Amazonas, merece reconhecimento. Quando prejudica nossa população, merece questionamento. Simples assim.

Meu compromisso continuará sendo com a verdade dos fatos, com a liberdade de expressão e com o direito da população de ser informada. Sem amarras ideológicas, sem submissão a grupos políticos e sem medo de desagradar quem está no poder.

Porque acima de qualquer disputa partidária existe algo muito maior: o Amazonas e o seu povo.

E é por eles que continuaremos trabalhando todos os dias.