EDITORIAL | Ataque da “capivara” vira munição para que responde com humor à provocação de Maria do Carmo e Salazar

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Provocação pessoal ganha repercussão no segundo turno do Amazonas, mas reação da equipe de Omar Aziz transforma o apelido em peça de comunicação e reacende debate sobre propostas e ataques eleitorais.

Por Edson Sampaio

Manaus (AM) – A disputa pelo Governo do Amazonas ganhou um novo capítulo de provocações políticas após o Sargento Salazar (PL), aliado da candidata Maria do Carmo (PL), comparar o senador Omar Aziz (PSD) a uma capivara. A polêmica ganhou força quando a própria candidata apareceu nas redes sociais segurando uma capivara de pelúcia, ampliando a repercussão da comparação.

O episódio, ocorrido em plena campanha do segundo turno, levantou questionamentos sobre o espaço ocupado pelos ataques pessoais em uma eleição marcada por desafios importantes para a população amazonense.

Omar transforma provocação em humor

A reação da equipe de comunicação de Omar Aziz chamou atenção pela escolha de incorporar o símbolo utilizado na provocação.

Em vez de responder com novos ataques pessoais, a campanha passou a divulgar figurinhas e conteúdos bem-humorados envolvendo a capivara, procurando retirar o caráter ofensivo da comparação.

A estratégia é conhecida no marketing político como ressignificação, quando uma mensagem inicialmente negativa é reaproveitada sob outra perspectiva.

O movimento também mostra como uma provocação pode escapar ao controle de quem a iniciou, passando a circular com interpretações diferentes nas redes sociais.

Maria do Carmo entra na polêmica

Ao publicar conteúdo relacionado à capivara, Maria do Carmo ampliou uma controvérsia que havia começado com seu aliado Sargento Salazar.

Embora o humor e a crítica façam parte da liberdade de expressão nas campanhas, a participação direta de candidatos nesse tipo de episódio suscita uma discussão sobre as prioridades da comunicação eleitoral.

Em um estado que enfrenta dificuldades na saúde, na educação, na segurança e na infraestrutura, o eleitor também precisa conhecer propostas concretas, prazos e fontes de financiamento.

Isso vale para as duas candidaturas, independentemente de quem iniciou a provocação.

A lembrança de Gilberto Mestrinho

O episódio também remete à trajetória do ex-governador Gilberto Mestrinho, conhecido como o “Boto”, apelido que acabou incorporado à sua identidade política.

A história mostra que símbolos e apelidos podem ganhar novos significados quando passam a fazer parte da comunicação de uma liderança.

No caso de Omar Aziz, a apropriação da capivara representa uma tentativa semelhante de transformar uma comparação depreciativa em conteúdo de humor.

Entretanto, a repercussão digital não permite determinar, isoladamente, o impacto da estratégia na opinião dos eleitores.

A eleição precisa voltar às propostas

Enquanto a polêmica ocupa espaço nas redes sociais, o Amazonas se prepara para escolher seu próximo governador no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O debate eleitoral envolve temas decisivos, como a ampliação da rede hospitalar, o atendimento aos municípios do interior, a recuperação de estradas, a geração de empregos e a melhoria dos serviços públicos.

A reação de Omar Aziz demonstra uma alternativa de comunicação diante de uma provocação pessoal: utilizar o humor para responder sem reproduzir diretamente a ofensa.

Mas a responsabilidade de apresentar soluções continua sendo de ambos os candidatos.

O episódio da capivara poderá ser lembrado como mais um capítulo curioso da campanha amazonense. O que precisa permanecer no centro da discussão, porém, são os compromissos assumidos com a população e a capacidade de transformá-los em políticas públicas.