O presidente Lula deu, nesta quinta-feira (5/2), a seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, o mesmo tratamento público dispensado pelo petista há 20 anos ao seu então ministro da Casa Civil, José Dirceu, no Mensalão.
Em entrevista ao portal Uol, Lula revelou ter chamado Lulinha para conversar após ver o nome do filho citado em investigações da “Farra do INSS”, esquema de desvios no instituto revelado por uma série de reportagens do Metrópoles.
Na entrevista, Lula contou ter avisado Lulinha de que o filho terá de “pagar o preço”, caso esteja realmente envolvido no esquema, e sugeriu que ele se defenda, caso seja inocente das possíveis acusações no escândalo.
“Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei meu filho aqui. Olhei no olho do meu filho e disse: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, afirmou Lula na entrevista.
O modus operandi de Lula é semelhante ao tratamento dado a José Dirceu, braço direito do presidente em seu primeiro mandato e diretamente envolvido no esquema de compra de votos no Congresso que ficou conhecido como Mensalão.
Na ocasião, ao se manifestar publicamente sobre o assunto, Lula disse que se sentia “traído” e determinou que “ninguém fosse poupado” das investigações, fosse do PT ou não. O presidente afirmou ainda que todos os culpados seriam entregues à Justiça.
“Determinei, desde o início, que ninguém fosse poupado, pertença ao meu partido ou não, seja aliado ou da oposição. Grande parte do que foi descoberto até agora veio das investigações da Polícia Federal. E vamos continuar assim até o fim, até que todos os culpados sejam responsabilizados e entregues à Justiça. Mesmo sem prejulgá-los, afastei imediatamente os que foram mencionados em possível desvio de conduta para facilitar todas as investigações”, afirmou Lula em 12 de agosto de 2005.
Questionado sobre a fala de Lula dias depois, Dirceu se limitou a dizer que a imprensa deveria perguntar ao próprio presidente quem o havia traído. “É o presidente Lula quem tem que responder quem é o traidor”, afirmou o ex-ministro.











