Por: Redação MVE
O governador Roberto Cidade e o ex-governador Wilson Lima retornaram de Brasília cercados por uma imagem que nenhum líder político deseja transmitir: a da indecisão. Depois da expectativa de que anunciariam apoio a Maria do Carmo (PL), os dois teriam optado pela neutralidade na disputa pelo Governo do Amazonas.
Na terça-feira (6), uma publicação do Blog do Hiel Levy informou que Cidade e Wilson participariam de uma reunião com a direção nacional da Federação União Progressista e caminhavam para apoiar Flávio Bolsonaro na eleição presidencial e Maria do Carmo no segundo turno estadual.
Mas a articulação terminou de forma diferente. Segundo apuração divulgada pelo BNC Amazonas nesta quarta-feira (7), Roberto Cidade e Wilson Lima voltaram de Brasília sem apoiar nem Omar Aziz nem Maria do Carmo para o Governo do Estado. No plano nacional, entretanto, o grupo deverá seguir a orientação partidária em favor de Flávio Bolsonaro.
A neutralidade ocorre justamente depois de duas derrotas importantes. Cidade terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com aproximadamente 21,9% dos votos válidos, enquanto Omar Aziz liderou com mais de 40% e Maria do Carmo ficou na segunda colocação. Wilson Lima, que deixou o governo para disputar o Senado, também não conseguiu se eleger.
Diante desse cenário, a posição da dupla soa menos como prudência e mais como cálculo político. Depois de perderem espaço nas urnas, Cidade e Wilson evitam assumir uma escolha que poderia ampliar ainda mais o desgaste do grupo.
Quem lidera precisa mostrar direção, especialmente nos momentos difíceis. Permanecer em cima do muro pode preservar interesses imediatos, mas também transmite insegurança a aliados e eleitores que esperavam uma orientação clara para o segundo turno.
Enquanto Cidade e Wilson tentam administrar as consequências da derrota, Omar Aziz amplia as articulações e busca atrair vereadores, deputados, prefeitos e lideranças que anteriormente estavam no campo adversário. O movimento reforça a percepção de que o grupo derrotado começa a perder controle sobre a própria base.
As urnas retiraram Cidade e Wilson das disputas majoritárias. Agora, a neutralidade ameaça retirar deles também o protagonismo político. No momento em que o Amazonas discute seu futuro, os dois preferiram não escolher um caminho — e quem não aponta uma direção corre o risco de ser deixado para trás.











