A ida de Coronel Menezes a Matupi e Manicoré, no Sul do Amazonas, não é apenas uma visita de cortesia a velhos conhecidos. É uma jogada calculada no tabuleiro de 2026. Ao se aproximar novamente de lideranças do agronegócio, Menezes tenta resgatar uma das bases sólidas da Direita no interior, e que podem ser decisivas numa disputa em que cada voto terá peso.
O setor agropecuário no Amazonas, sobretudo na região de Matupi, consolidou-se nos últimos anos como força econômica e eleitoral. É ali que está a voz mais contundente em defesa do agro, bandeira que Menezes já adotou desde 2022 e que segue sendo um divisor de águas na política local. O gesto de voltar a esse território é um recado claro: Menezes quer se apresentar como o porta-voz do produtor rural em Brasília.
Com a entrada de nomes de peso na disputa pelo Senado, como o governador Wilson Lima e o deputado Alberto Neto, Menezes não quer continuar sendo protagonista no jogo da direita amazonense. Retomar vínculos no Agro é, portanto, vital para sua sobrevivência política. Ao reaquecer essas alianças, ele busca construir um diferencial que os demais ainda não têm consolidado no interior.
A visita a Matupi e Manicoré foi também um movimento simbólico: mostrar que Menezes ainda circula com naturalidade no interior e que não depende apenas da vitrine de Manaus. No entanto, é preciso reconhecer que a força eleitoral do Agro, embora significativa, não garante sua vitória. O desafio será transformar esse apoio em capilaridade política real, principalmente na capital, onde a disputa será dura e polarizada.
Menezes aposta alto: se conseguir se fixar como o candidato do campo, da BR-319 e do produtor rural, pode entrar competitivo na disputa ao Senado. Mas se essa aproximação não se traduzir em apoio concreto e mobilização eleitoral, corre o risco de se limitar a mais um gesto de nostalgia política, revisitando velhos aliados sem conseguir abrir novos caminhos, porque na capitã, Manaus, o seu nome está consolidado.











