O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta quinta-feira, 20, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha encerra um percurso que ganhou projeção nacional em 2016, quando Messias ficou conhecido como “Bessias” depois da divulgação de uma conversa entre Dilma Rousseff e Lula durante a Operação Lava Jato.
Em 16 de março de 2016, o então juiz Sergio Moro divulgou um áudio no qual Dilma afirma que enviaria a Lula um termo de posse de ministro-chefe da Casa Civil. Na ocasião, a petista cita Messias, chamado por ela de “Bessias”, como responsável pela entrega.
“Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, disse Dilma, então presidente da República. O documento era para que Lula pudesse assumir a Casa Civil e livrar-se da prisão.
À época, a interpretação da Justiça foi de que a nomeação de Lula como ministro passariam os processos contra ele na Lava Jato para o STF, devido ao foro privilegiado. Um dia depois da divulgação do áudio, ele chegou a participar de cerimônia para tomar posse na Casa Civil, mas sua posse foi suspensa devido a liminar do ministro Gilmar Mendes.
O episódio gerou acusações de tentativa de obstrução de justiça, mas Messias não foi investigado nem respondeu judicialmente. Na época, ele ocupava a subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência.
Carreira de Jorge Messias
Pernambucano do Recife, Messias tem 45 anos e tem formação em Direito. Desde 2007, integra a carreira de procurador da Fazenda Nacional. Atuou no Banco Central, no BNDES e ganhou visibilidade no governo Dilma ao assumir a subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência.
Ele comanda a Advocacia-Geral da União (AGU) desde janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Lula. Com a aposentadoria de Barroso, tornou-se um dos principais cotados para o STF.
Papel político no governo Lula
À frente da AGU, Jorge Messias foi o primeiro a pedir a prisão preventiva de envolvidos nos atos do 8 de janeiro de 2023.
Desde então, Lula passou a acioná-lo para agendas políticas, como a reconstrução do diálogo com lideranças religiosas. Integrante da Igreja Batista, Messias usa referências bíblicas em discursos e mantém articulação com setores evangélicos mais conservadores.
Agora, o nome precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e, depois, pelo plenário da Casa. Para assumir a vaga no STF, Messias precisa de ao menos 41 votos favoráveis. Se aprovado, será o terceiro ministro indicado por Lula à Corte neste mandato, ao lado de Cristiano Zanin e Flávio Dino.











