A COP30, prevista para ocorrer em Belém (PA) entre 6 e 21 de novembro, enfrenta críticas internacionais devido aos elevados custos de hospedagem na cidade.
O jornal francês Le Monde destacou que os preços praticados para acomodações comprometem a participação de delegações de países em desenvolvimento, ameaçando a representatividade do evento.
No site oficial da conferência, quartos e apartamentos aparecem com valores entre US$ 200 e US$ 3.700 por noite, chegando a US$ 50 mil pelo período total, valor cerca de dez vezes maior que o praticado em edições anteriores da COP. Os hotéis exigem reserva mínima de dez a 15 noites, sem possibilidade de reembolso.
Além disso, a cidade enfrenta desafios estruturais, como falta de saneamento básico e mobilidade urbana precária, o que agrava a situação para os participantes.
Reações internacionais
Juan Carlos Monterrey Gomez, chefe da delegação do Panamá, classificou a situação como um “insulto” aos países em desenvolvimento.
Delegações de países africanos e caribenhos também manifestaram preocupação, solicitando alternativas viáveis de hospedagem ou a mudança de sede da conferência.
“Delegações, em todas as regiões, estão sendo solicitadas a pagar taxas exorbitantes e não reembolsáveis sob pacotes rígidos que não podem ser modificados”, escreveu Gomez no LinkedIn. “As faturas devem ser pagas em três dias, independentemente dos processos de aprovação nacional”.
“A informação chega aos poucos, as delegações estão dispersas, a coordenação é impossível”, completou. “Isso é insanidade e insultuoso.”
Resposta do governo Lula
Em resposta às críticas, o governo Lula ofereceu cruzeiros como alojamento flutuante, moradias compartilhadas via plataforma local e estabeleceu um subsídio de até US$ 220 por diária para delegações de países em desenvolvimento.
No entanto, o valor está abaixo do limite padrão de reembolso da ONU, que gira em torno de US$ 149.
Desafios para a representatividade na COP30
A situação atual levanta dúvidas sobre a representatividade da COP30, especialmente se delegações de países mais afetados pelas mudanças climáticas não conseguirem participar devido a custos elevados.
De acordo com Le Monde, a falta de infraestrutura e os preços abusivos podem comprometer o objetivo da conferência de promover um diálogo inclusivo e eficaz sobre questões climáticas globais.











