Por: Redação MVE

Economia – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), o decreto presidencial que oficializa a concessão de uma subvenção econômica de R$ 0,44 por litro de gasolina. A medida emergencial funciona como um colchão amortecedor para conter a disparada dos preços dos combustíveis nas bombas, fortemente pressionados pela recente volatilidade do preço do barril de petróleo no mercado internacional devido aos conflitos geopolíticos e à guerra no Oriente Médio.

Com uma vigência inicial estipulada para dois meses, o programa de subsídio terá um custo aproximado de R$ 1,2 bilhão mensais aos cofres públicos (totalizando R$ 2,4 bilhões no período). Segundo a equipe econômica, o financiamento da medida virá do excesso de arrecadação federal gerado justamente pela alta do preço do petróleo, não comprometendo as metas fiscais vigentes.

Como vai funcionar o “desconto” na nota fiscal

O modelo adotado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e pelo Ministério de Minas e Energia não mexe diretamente nas alíquotas de impostos na bomba, mas atua como uma espécie de “cashback tributário” na origem da cadeia.

Diesel também recebe novas regras de subsídio

Além da gasolina — que até então não havia recebido nenhuma compensação tributária direta desde o início da crise internacional —, o governo federal também fixou as regras de transição para o óleo diesel.

A partir de junho, quando chega ao fim o período de isenção total dos tributos federais sobre o combustível fóssil que vigora desde março, entrará em vigor um subsídio de até R$ 0,3515 por litro de diesel. De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o choque internacional de preços acabou sendo mais severo no diesel, o que exigiu do governo estratégias fiscais distintas para os dois tipos de combustíveis.

Estratégia de curto prazo e leilões suspensos

A equipe econômica defende que o uso de recursos públicos para subsidiar os combustíveis é uma necessidade de curto prazo para impedir um efeito cascata da inflação no bolso dos trabalhadores e no setor de transportes. A ideia é reavaliar o cenário internacional após o prazo de 60 dias para decidir se o benefício será prorrogado ou descontinuado.

Como reflexo direto dessa instabilidade global, o governo também confirmou o cancelamento temporário de novos leilões de áreas de exploração de petróleo que estavam previstos para este exercício. A previsão inicial de arrecadar R$ 31 bilhões com os certames foi retirada do Orçamento de 2026. O Ministério de Minas e Energia alegou que realizar leilões em meio a uma janela de extrema oscilação de preços internacionais traria prejuízos à União e não representaria a melhor decisão estratégica para o país.

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