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BR-319: A estrada que anda… para trás

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Por Edson Sampaio

Tem coisas no Brasil que não mudam. Uma delas é a BR-319, a estrada que liga o Amazonas ao resto do país no mapa, mas na vida real liga o cidadão ao atoleiro, ao pó e ao abandono.

Agora, o presidente Lula resolveu vetar trechos da lei que facilitariam a pavimentação. Motivo oficial? Licenciamento ambiental. Motivo real? Bom… o Norte não dá voto suficiente para comover Brasília.

O mais curioso é que a BR-319 já foi asfaltada. Ou seja: não estamos falando de abrir picada na mata virgem. Estamos falando de recuperar o que já existiu. Mas, claro, quando é no Sul ou no Sudeste, é “modernização da infraestrutura”; quando é no Norte, é “ameaça ambiental”.

Omar Aziz chamou de “antipatriotas” os que se opõem à obra e acusou o governo de quebrar acordo. Eduardo Braga disse que não dá para manter 400 km no meio da rodovia como um monumento à burocracia. Plínio Valério, sem papas na língua, disse que o novo estudo ambiental é só para “engabelar” — e eu arrisco dizer que engabelar é verbo que Brasília conjuga com perfeição.

Enquanto isso, o povo do Amazonas e de Roraima segue viajando como se fosse outra época — dependendo de barco, avião ou muita coragem para enfrentar o lamaçal. É quase um teste de resistência: se você consegue chegar ao destino pela BR-319, merece medalha.

Mas vamos fingir que está tudo bem, que o Norte está “integrado” e que essa obra pode esperar mais umas décadas. Afinal, quando o assunto é a BR-319, o tempo não corre… ele atola.