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Avião vindo da Venezuela é interceptado pela FAB na Amazônia

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A aeronave foi destruída depois de pousar na Terra Indígena Yanomami, em Roraima

Um avião vindo da Venezuela e suspeito de tráfico de drogas entrou no espaço aéreo brasileiro na manhã da quinta-feira 19 e foi destruído depois de pousar na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, na região da Amazônia. O piloto fugiu para a mata e não foi localizado.

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave cruzou a fronteira sem plano de voo, não respondeu aos controles e ignorou todas as ordens da Defesa Aeroespacial. Caças deram tiros de aviso e tentaram direcionar o monomotor para um aeródromo indicado, mas o piloto manteve o trajeto.

O avião foi identificado por radares por volta das 7h e passou a ser classificado como “aeronave suspeita” por não informar rota nem estabelecer comunicação — padrão comum em voos ligados ao crime organizado. Diante da desobediência, foi reclassificado como “hostil”.

A aeronave pousou apenas ao chegar a Surucucu, em pista clandestina de terra. Quando militares chegaram de helicóptero, o piloto já havia fugido. A matrícula estava adulterada, e equipes do Comando Conjunto Catrimani II destruíram o avião.

As forças afirmam que toda a operação seguiu os protocolos de proteção do espaço aéreo e de áreas sensíveis da Amazônia, como a Terra Yanomami.

As pistas de pouso do tráfico de drogas na Amazônia

Pista de Novo Aripuanã, no Amazonas; até aeródromos regulares são usados pelo crime organizado | Foto: Divulgação
Pista de Novo Aripuanã, no Amazonas; até aeródromos regulares são usados pelo crime organizado | Foto: Divulgação

A Amazônia concentra centenas de pistas de pouso clandestinas usadas por facções envolvidas no tráfico internacional de drogas. A seca histórica de 2023 e 2024 levou grupos criminosos — especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) — a substituir barcos por aviões e helicópteros para transportar drogas, armas e ouro de garimpos ilegais.

Só no Amazonas, autoridades identificaram cerca de 200 pistas usadas pelo crime, segundo o portal Metrópoles. A dinâmica segue o ciclo das águas: na cheia, embarcações passam com facilidade por rotas pouco fiscalizadas; na seca, com rios estreitos, cresce o uso das rotas aéreas.

Depois do avanço do PCC, o Comando Vermelho também adotou o modelo. As pistas são majoritariamente de terra, mas algumas têm iluminação e estrutura para voos noturnos, capazes de receber aeronaves pequenas carregadas com armas, drogas ou equipamentos de garimpo.

Relatórios apontam ainda o uso de aeródromos regulares, como o de Novo Aripuanã, entre Manaus e Porto Velho. Em fevereiro, o Greenpeace identificou 130 balsas de garimpo ilegal na região, parte delas entre Novo Aripuanã e Humaitá.

Além do tráfico, essas pistas abastecem garimpos, transportam combustível e maquinário, facilitam o escoamento de minérios ilegais e impulsionam desmatamento e grilagem. Há grande concentração delas próximo às divisas com Rondônia, Acre, Pará e Roraima.