Anda assustado com as notícas sobre a crise hídrica e o aumento da conta de luz? Não é para menos: estamos vivendo a pior crise hídrica na região das hidrelétricas dos últimos 91 anos, alertou André Pepitone, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O meio-ambiente e o nosso bolso estão sofrendo.
Grande parte da eletricidade que chega às nossas casas vem das hidrelétricas, que usam água para gerar eletricidade. Porém, quando consumimos demais e chove menos, nossos reservatórios começam a baixar. Para economizar água, começa-se a usar uma energia mais cara, das termelétricas, e a conta de energia fica mais cara.
Somos cobrados pela tarifa de luz, que todo ano é reajustada, e pela bandeira tarifária, que nos faz pagar uma taxa adicional quando estamos no período de pouca chuva. São três bandeiras com as cores do semáforo. Com a bandeira verde, estamos bem. Com a amarela, precisamos prestar atenção. E com a vermelha, o bicho pegou.
A bandeira vermelha é a de agora: estamos acionando mais termelétricas e pagando mais caro. É nela que vamos ficar por um bom tempo e a conta ainda vai subir, avisou a Aneel. A crise hídrica deve causar um aumento de 7% a 7,5% na conta de luz em 2021 e de pelo menos 5% em 2022, conforme a agência.
A energia elétrica foi o item de maior peso na inflação oficial do Brasil em maio, quando atingiu o maior nível desde 1996. Isso durante a crise econômica causada pela pandemia de coronavírus, com 14,8 milhões de desempregados.
“Só quando acontece crise energética é que se lembra da eficiência energética, que nunca entrou para valer como uma solução fundamental, como é a construção de usinas hidrelétricas e de termelétricas”, disse. “Se a gente fizesse uma reforma do setor elétrico que realmente considerasse o uso racional da energia, o Brasil certamente não estaria passando por essa situação.”
Enquanto políticas públicas não atacam os problemas reais, no entanto, o consumidor paga o pato. Aí, então, vão alguns conselhos para, quem puder, gastar menos energia e dinheiro. Aproveite para colocá-las em prática sempre, não só na crise.
Geladeira
A geladeira é a causa de um dos maiores consumos de energia em casa. A quem tem uma com mais de dez anos e tiver dinheiro para isso, Gomes aconselha trocá-la por uma mais nova, mais eficiente. Ele também recomenda não deixar o equipamento colado na parede nem nas laterais, deixando um espaço de um palmo. A geladeira precisa de espaço para “suar”.
O especialista sugere, ainda não deixar o eletrodoméstico perto do fogão ou com luz direta do sol. Com calor, a geladeira tem que trabalhar mais para manter alimentos refrigerados. Outras dicas são controlar a temperatura no termostato (não precisa ser a máxima, até congelar a alface!) e não colocar comida quente dentro.
Por último, faça o teste da borracha. Pegue uma folha de papel e feche a geladeira com uma folha de papel no meio. Se sair com facilidade, está na hora de trocar a borracha.
Ar-condicionado
Quem puder deve comprar um ar-condicionado com a tecnologia “inverter”. É a LED dos ar- condicionados. Com uma boa pesquisa, é possível achar aparelhos desse tipo pelo mesmo preço dos tradicionais. Mesmo que seja mais caro, a economia na conta paga o equipamento em pouco tempo, de acordo com Gomes.
O descarte do ar-condicionado antigo deve ser apropriado. Dentro desses aparelhos, há um gás que é uma verdadeira bomba de aquecimento global. Converse com a assistência técnica, com a fabricante ou com uma empresa que faz descarte. Algumas coletam em casa, em outras você precisa levar o equipamento.
Outra dica é colocar o aparelho em 23 graus, não abaixo disso. Isso ajuda a economizar energia.
Máquina de lavar roupa
Aproveite o embalo. Lave roupa na capacidade máxima da máquina e tente passar toda a roupa de uma vez só.
Chuveiro elétrico
Os conselhos são simples: tome cuidado com o tempo de banho e evite água muito quente.
Lâmpadas
Troque as lâmpadas fluorescentes por LEDs. Quem tem dificuldade de pagar por elas pode escolher os cômodos da casa que mais usa. Contudo, elas já custam praticamente o mesmo preço das tradicionais.
Desligue tudo
Evite deixar os aparelhos em “standby”. Desligue e tire da tomada o equipamento da internet, do telefone, o microondas e a televisão quando não estiver usando. Eles não devem ficar quentes enquanto você dorme.
Para enviar dúvidas e sugestões sobre direito do consumidor, envie um e-mail para [email protected].
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