O governo da Argentina informou não ter recebido solicitação de asilo político por parte de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil. A informação é da CNN Brasil, que consultou fontes ligadas à Casa Rosada. Essas pessoas negaram qualquer registro ou tramitação de pedido de asilo feito por Bolsonaro ao governo argentino.
Bolsonaro e seu filho Eduardo foram indiciados pela Polícia Federal na quarta-feira 20 por obstrução de Justiça, e o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mandou o ex-presidente se manifestar sobre descumprimento de medidas cautelares, o que incluiria o envio de um pedido de asilo à Argentina.
Os agentes da PF encontraram no celular de Bolsonaro um arquivo — que está no aparelho desde fevereiro do ano passado — que contém um pedido de asilo ao governo argentino. O documento, conforme a análise de metadados, foi criado em 2023, antes mesmo de Bolsonaro ter ido à Argentina, em dezembro de 2023, na posse do presidente Javier Milei.
O texto localizado no celular do ex-presidente, sem assinatura, foi escrito em primeira pessoa, Bolsonaro afirma ser alvo de perseguição política no Brasil. Isso justificaria o pedido de asilo com receio por sua segurança e alegação de risco iminente de prisão.
“Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito à Vossa Excelência [Milei] asilo político na República da Argentina, em regime de urgência, por eu me encontrar na situação de perseguido político no Brasil, por temer por minha vida, vindo a sofrer novo atentado político, uma vez que não possuo hoje a proteção necessária que se deve dar a um ex-chefe de Estado, bem como por estar na iminência de ter minha prisão decretada, de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional pelas próprias autoridades públicas que promovem a perseguição contra mim, diretamente da mais alta Corte do Poder Judiciário brasileiro, e por preencher todos os requisitos legais, conforme exaustivamente demonstrado ao longo desse requerimento”,

Segundo informações da Polícia Federal, o documento teria sido escrito pela nora de Bolsonaro e foi salvo em seu aparelho em 10 de fevereiro de 2024.
Para a PF, apesar de o texto ser um único arquivo editável, sem data nem assinatura, “seu teor revela que o réu, desde a deflagração da Operação Tempus Veritatis, planejou atos para fugir do país, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”.











