A passagem de Ludmilla pelo festival Farraial, no Anhembi, em São Paulo, no sábado (20/8) foi bastante conturbada. A cantora encerrou sua apresentação após poucas músicas e depois retornou ao palco alegando não poder continuar devido falta de estrutura e falhas, segundo ela, de responsabilidade da organização da festa. A coluna LeoDias conversou com um dos responsáveis pelo evento, que expôs uma série de problemas com a artista e sua equipe, desde falta de profissionalismo em relação aos horários à negligências técnicas.
Insatisfação com horário
O Farraial é considerado o maior evento do segmento sertanejo em São Paulo. Segundo Luiz Restiffe, sócio da agência INHAUS, organizadora do festival, os problemas com Ludmilla começaram assim que a ordem das apresentações foi definida. A cantora foi escalada para abrir a programação, mas não gostou nada disso e fez de tudo para tentar mudar o horário de seu show.
Todavia, a alteração não foi possível, considerando o estilo musical de Ludmilla em relação à proposta do evento e às outras atrações, assim como a agenda da própria cantora, já que no mesmo dia ela tinha outra apresentação agendada.
Passagem de som
No dia do festival, de acordo com Luiz Restiffe, a equipe de Ludmilla não chegou mais cedo para fazer a passagem de som e abriu mão deste processo, que é considerado primordial para que o staff do artista entenda o sistema do evento. “Eles abriram mão de passar o som, não fizeram. A gente sempre deixou disponível, nossos técnicos estavam lá para isso e eles abriram mão”, explica Restiffe.
Atraso
A apresentação de Ludmilla estava marcada para começar às 13h. No entanto, a cantora só chegou às 13h40. “O horário para finalizar o show dela era às 14h. A gente não poderia estender esse horário, pois tem todo um lineup que vem em seguida. Depois dela vem Zé Neto & Cristiano, eu não posso tirá-los”, esclarece Restiffe.
“Em festivais e shows grandes, o artista precisa chegar pelo menos uma hora antes da apresentação. Se o show dela era às 13h, ela tinha que estar lá pelo menos às 12h. Ela não fez isso, todos os outros artistas fizeram, compareceram”, pontua o sócio da empresa realizadora do evento.
A coluna LeoDias teve acesso a trocas de e-mails entre a organização e a equipe de Ludmilla, em que os organizadores deixam claro que o festival “tem horário definido para iniciar e encerrar, não sendo possível em hipótese alguma excedermos o horário estabelecido pela LEI, sob pena de MULTA em caso de descumprimento”.
Problemas técnicos
“Quando um artista assume o palco, os técnicos que ficam na cabine controlando o som não são os nossos, são os técnicos do artista. Então quem estava controlando o som dela, fazendo a mixagem, era um técnico dela, contratado por ela, que trabalha com ela, que viaja com ela. A partir do momento que o artista assume o palco, é o técnico dele que está lá, não somos nós”, explica Luiz Restiffe.
“É uma questão técnica da equipe dela, por eles não terem feito passagem de som, visto as coisas, rodeado tudo, visto como estava o som. Só que pra ela é muito mais fácil falar mal do evento”, segue Restiffe.
Restrição sonora
Restiffe detalhou ainda que foi feito um trabalho de mapeamento sonoro do Anhembi para saber o quanto o evento poderia ter de decibéis para quê o que é permitido por lei não fosse extrapolado, visto que, por conta de problemas recentes com outros eventos no espaço, o descumprimento das restrições pode resultar em uma interdição do Anhembi.
“O Anhembi já tomou multas por questão de barulho e som, então na próxima multa que o Anhembi receber, ele será lacrado, perde o alvará e é embargado para shows”, explica ele.
Portanto, foi informado à equipe de Ludmilla, com antecedência, os detalhes sobre a parte técnica, mesa de som e obrigatoriedades em relação a regulagem de som e limite de decibéis a serem seguidos.
“Depois desse estudo feito, a gente dividiu com os técnicos de todas as bandas, todo mundo entendeu isso, mas com ela especificamente a gente teve problema. O cara não soube regular o som, não soube regular a mesa. Como não teve passagem de som, não foi possível de ser acertado e depois do show dela a gente não teve problema com ninguém, só tivemos problema com ela especificamente”, explica Restiffe.
A coluna LeoDias também teve acesso a e-mails enviados pela organização à equipe de Ludmilla sobre as restrições do Anhembi. “Tivemos que apresentar um projeto no Ministério Público. […] De acordo com a legislação, não podemos ter mais do que 60dB A na parte externa do Anhembi. Teremos que seguir à risca o que nos foi solicitado”, diz o e-mail.
“Haverá uma equipe externa do PSIU, fazendo a fiscalização, mais uma equipe da GL Eventos, por parte do Anhembi, mais uma empresa especializada por parte do Promotor. Em resumo, não podemos ultrapassar 96dB A Pico na House Mix. Para que tenhamos cobertura na área, tivemos que instalar 12 torres de delay, a fim de cobrir a área com um volume que seja pelo menos razoável. Esta questão não é negociável. […] Estas restrições não se referem somente ao PA, mas também ao volume interno do Palco”, esclarece o e-mail.
O que diz Ludmilla?
A coluna LeoDias procurou a equipe que representa Ludmilla para que a cantora desse sua versão dos fatos. No entanto, o contato não foi retornado até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.