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ALEAM admite salário acima do limite constitucional e tenta corrigir distorção milionária

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Diferença pode ter gerado impacto superior a R$ 3,2 milhões por ano aos cofres públicos

Por: [Manuel Menezes]

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) reconheceu que o atual salário pago aos deputados estaduais, fixado em R$ 46 mil, não está em conformidade com o que determina o artigo 27 da Constituição Federal.

A Constituição estabelece que deputados estaduais devem receber 75% do subsídio de um deputado federal. Atualmente, esse percentual corresponde a R$ 34.774,64 — valor significativamente inferior ao que vinha sendo praticado.

A diferença mensal por parlamentar é de aproximadamente R$ 11.225,36.

Considerando os 24 deputados estaduais, o impacto estimado é expressivo:

  • R$ 134.704,32 por deputado ao ano
  • Cerca de R$ 3.232.903,68 por ano no total

O montante reacende o debate sobre responsabilidade fiscal, controle interno e respeito aos limites constitucionais no uso de recursos públicos.

Repercussão e investigação

A situação ganhou visibilidade após série de reportagens apontarem possível inconstitucionalidade nos vencimentos. Diante da repercussão, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades.

Após a pressão pública, a Mesa Diretora da Aleam apresentou o Projeto de Lei nº 62/2026 com o objetivo de adequar os subsídios ao percentual constitucional.

O texto do projeto afirma que a proposta busca apenas “corrigir o fundamento legal do subsídio”, atualmente baseado na Lei Estadual nº 4.729/2018.

Correção ou reação tardia?

Embora o projeto proponha a redução do salário para R$ 34.774,64, críticos questionam por que a distorção permaneceu por tanto tempo sem contestação interna.

O episódio levanta questionamentos relevantes:

  • Houve falha técnica ou interpretação conveniente da legislação?
  • Por que a adequação só ocorreu após repercussão pública?
  • Como se deu o controle jurídico interno da Casa nesse período?

A proposta ainda seguirá o rito legislativo e será votada em plenário.

Debate sobre transparência

Em um cenário de cobranças por austeridade e responsabilidade no gasto público, a admissão da irregularidade reforça a importância da fiscalização institucional e do controle social.

A redução dos salários pode corrigir o parâmetro legal daqui para frente, mas o episódio deixa uma marca política relevante: o cumprimento da Constituição não deveria depender de pressão externa para ser observado.