Por Manuel Menezes | Editorial MVE
Menos de 24 horas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, dois episódios provocaram forte repercussão política: uma publicação do PT do Paraná direcionada a Deltan Dallagnol e uma decisão do ministro Alexandre de Moraes restringindo a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Na segunda-feira (26), o PT paranaense publicou uma mensagem direta ao senador eleito Deltan Dallagnol: “Deltan, você é o próximo”.
A publicação ocorreu enquanto o partido busca contestar judicialmente a eleição do ex-procurador da Lava Jato, que recebeu aproximadamente 2,9 milhões de votos.
Embora o PT tenha relacionado a mensagem a uma disputa eleitoral na Justiça, o tom utilizado provoca uma pergunta: desde quando um partido político anuncia publicamente quem será o próximo adversário a enfrentar uma batalha judicial?
Flávio Bolsonaro também vira alvo de decisão judicial
No mesmo dia, Alexandre de Moraes determinou a retenção dos passaportes de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula na eleição presidencial.
A medida está relacionada a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Entretanto, a proximidade com o resultado eleitoral levantou questionamentos sobre a necessidade e a proporcionalidade da decisão.
Flávio negou qualquer intenção de fugir do país e questionou se receberia o mesmo tratamento caso tivesse vencido a eleição.
A Justiça deve investigar qualquer cidadão, mas não pode permitir que suas decisões sejam confundidas com instrumentos de retaliação política.
PT anuncia o próximo alvo: coincidência ou intimidação?
Deltan Dallagnol já teve seu mandato de deputado federal cassado em 2023. Agora, depois de conquistar uma vaga no Senado, enfrenta novamente questionamentos judiciais sobre sua elegibilidade.
O PT tem direito de recorrer à Justiça. O que merece críticas é transformar uma disputa jurídica em uma mensagem com aparência de ameaça.
Não existem provas apresentadas de que Lula tenha ordenado essas medidas ou de que o PT controle as decisões do STF. Entretanto, a independência das instituições precisa ser demonstrada por decisões transparentes e fundamentadas.
O resultado de uma eleição não concede aos vencedores o direito de intimidar adversários nem de transformar a Justiça em instrumento de disputa partidária.
O Brasil terá democracia para todos ou apenas para os vencedores?
Milhões de brasileiros votaram em Lula. Outros milhões escolheram Flávio Bolsonaro. Todos possuem os mesmos direitos garantidos pela Constituição.
A vitória eleitoral não pode representar autorização para perseguir adversários. Da mesma forma, ocupar um cargo público não garante imunidade diante de investigações legítimas.
Cabe ao PT explicar o tom de sua publicação. Cabe ao Judiciário demonstrar a fundamentação de suas decisões. E cabe ao governo respeitar o direito de oposição.
Porque democracia não significa apenas permitir que o povo vote. Significa garantir que os derrotados continuem livres para discordar, fiscalizar e disputar o poder.
A pergunta permanece: depois da vitória de Lula, o Brasil viverá um período de pacificação ou uma nova escalada de confrontos políticos e judiciais?

Fonte principal: Poder360 — 27 de outubro de 2026.











