Escândalo no INSS: aposentada do Amazonas vira refém de procurador que nunca conheceu e há dois anos luta pelo direito à própria aposentadoria

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Advogada e ex-auditora fiscal denuncia situação humilhante: ao utilizar seu cartão, encontra o nome de um homem desconhecido. Mesmo após procurar o banco e o INSS, afirma que o problema continua sem solução.

EDITORIAL | Por Manuel Menezes

Até quando um aposentado brasileiro precisará lutar para provar que é dono da própria aposentadoria?

Essa pergunta nasce de uma situação revoltante, que acompanhei pessoalmente e que envolve uma aposentada de Manaus, advogada e ex-auditora fiscal, que há aproximadamente dois anos enfrenta um verdadeiro pesadelo.

Tudo começou quando ela passou a receber insistentes ofertas de empréstimos consignados, inclusive aos finais de semana, com valores que chegavam a dezenas de milhares de reais.

Desconfiada, decidiu verificar sua situação bancária. Foi então que aconteceu o absurdo: ao inserir seu cartão em um caixa eletrônico, apareceu na tela uma mensagem de boas-vindas com o nome de um homem que ela afirma nunca ter conhecido.

O cartão era dela. O benefício era dela. Mas o nome apresentado era de outra pessoa!

Ao procurar esclarecimentos, foi informada de que aquele homem constava como seu procurador. Segundo a aposentada, ela jamais autorizou essa representação.

Posteriormente, a família identificou informações de que o suposto procurador seria da Bahia, enquanto a beneficiária reside em Manaus.

Uma humilhação que atravessa os anos

A aposentada procurou o banco, buscou atendimento no INSS e contestou a situação. Entretanto, segundo seu relato, recebeu respostas indicando que determinadas providências dependeriam justamente do procurador cuja autorização ela desconhece.

É inacreditável!

Como uma cidadã, advogada e ex-auditora fiscal, pode ser impedida de resolver pessoalmente uma situação envolvendo sua própria aposentadoria?

O problema se tornou tão preocupante que, conforme relata, ela passou a transferir o dinheiro para outra conta assim que o benefício fica disponível, por medo de movimentações não autorizadas.

Uma mulher que trabalhou a vida inteira precisa correr para proteger o dinheiro que é seu. Isso não é apenas constrangimento. É uma humilhação!

O governo Lula precisa responder: quem protege os aposentados?

Durante o governo Jair Bolsonaro, a Lei nº 13.846/2019 estabeleceu medidas de combate a irregularidades previdenciárias e mecanismos de controle sobre descontos associativos.

Parte dessas regras foi posteriormente alterada, inclusive ainda durante o governo Bolsonaro. Em 2026, uma nova legislação também passou a proibir descontos associativos nos benefícios do INSS.

Mas a questão central permanece: de que adiantam leis, discursos e promessas se uma aposentada afirma que continua enfrentando uma situação dessa gravidade?

O governo Lula, responsável pela atual administração federal, precisa garantir que o INSS ofereça respostas efetivas aos segurados.

Não se trata de afirmar, sem provas, que o presidente tenha participado de qualquer irregularidade. Trata-se de cobrar responsabilidade administrativa, transparência e proteção aos aposentados.

Se fizeram isso com uma advogada, imagine com quem não conhece seus direitos

O escândalo nacional dos descontos indevidos revelou a vulnerabilidade de milhões de beneficiários e levantou questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização do sistema previdenciário.

O caso desta aposentada envolve uma representação que ela afirma desconhecer e tentativas de contratação de empréstimos. A eventual ligação com outras fraudes ainda depende de investigação.

Mas uma pergunta precisa ser feita: quantos brasileiros humildes enfrentam situações semelhantes sem conseguir denunciar?

Quantos idosos não têm condições de contratar um advogado, reunir documentos ou enfrentar anos de procedimentos administrativos?

O silêncio não pode continuar

Como jornalista, acompanhei parte dessa história e considero inaceitável que uma aposentada tenha de conviver durante anos com o medo de perder o controle sobre seu benefício.

Quem cadastrou esse procurador? Onde está a autorização original? Quem conferiu a assinatura? Por que a contestação da aposentada não teria resolvido o problema?

Essas perguntas exigem respostas.

Não estamos falando de um favor do governo. Estamos falando de um direito conquistado com décadas de trabalho e contribuição.

Aposentadoria não pertence a procurador, banco, político ou governo. Pertence ao aposentado!

E enquanto uma cidadã precisar correr ao banco para proteger o próprio dinheiro, o Estado brasileiro estará falhando em sua obrigação mais básica: garantir segurança e dignidade a quem trabalhou a vida inteira.

O verdadeiro escândalo não é somente a suspeita de fraude. É uma aposentada afirmar que, depois de dois anos de reclamações, ainda não conseguiu recuperar plenamente o controle sobre seus próprios direitos.