Por Manuel Menezes
A corrida presidencial de 2026 chegou a um momento decisivo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma disputa apertada contra Flávio Bolsonaro, e o cenário eleitoral coloca em discussão uma questão fundamental: até que ponto as pesquisas conseguem retratar com precisão a vontade do eleitor brasileiro?
O avanço de Flávio Bolsonaro e a existência de levantamentos com resultados diferentes desafiam qualquer tentativa de apresentar a eleição como uma vitória antecipada do atual presidente.
Lula pode vencer? Sim. Mas também pode perder. E reconhecer essa possibilidade é essencial para uma análise séria do cenário político.
Pesquisas não são votos
Uma das maiores preocupações desta reta final é a maneira como os levantamentos eleitorais são apresentados à população.
Quando institutos divulgam números divergentes, é legítimo exigir explicações sobre metodologias, amostras, períodos de coleta e margens de erro.
Isso não significa que exista fraude. Pesquisas realizadas em momentos diferentes, com metodologias distintas, podem apresentar resultados diferentes sem que haja qualquer irregularidade.
Entretanto, o eleitor tem o direito de questionar, comparar e compreender os números antes de aceitar manchetes que anunciam favoritismos.
Nenhum instituto de pesquisa tem o poder de escolher o próximo presidente da República. Essa decisão pertence exclusivamente ao eleitor.
O primeiro turno já deu um recado a Lula
O resultado das urnas em 4 de outubro demonstrou que a reeleição de Lula está longe de ser uma certeza.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro conquistou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Foram mais de 56 milhões de votos para Flávio, que terminou a primeira etapa da eleição à frente do presidente.
Para um presidente que ocupa o Palácio do Planalto e dispõe da visibilidade própria do cargo, chegar atrás do adversário representa um sinal político que merece atenção.
Três pesquisas, três alertas para o governo
Os levantamentos divulgados em 13 de outubro reforçam a competitividade de Flávio Bolsonaro.
| Instituto | Flávio | Lula |
| BTG/Nexus | 52% | 48% |
| PoderData/AYA | 51% | 49% |
| Gerp | 55% | 45% |
Percentuais de votos válidos. BTG/Nexus e PoderData apontam empate técnico; Gerp registra vantagem superior à margem de erro.
Os números mostram que Flávio aparece numericamente à frente nesses três levantamentos. Entretanto, também revelam diferenças relevantes entre os institutos.
Essas diferenças precisam ser examinadas com responsabilidade. Não autorizam acusações automáticas de manipulação, mas reforçam a necessidade de transparência.
O governo precisa apresentar respostas, não apenas discursos
O presidente Lula terá de convencer o eleitor de que seu governo oferece respostas concretas aos desafios do país.
Quem emprega, produz e paga impostos quer discutir segurança jurídica, oportunidades econômicas, investimentos e redução da burocracia.
As políticas sociais são necessárias, mas precisam caminhar ao lado de medidas capazes de promover autonomia econômica e geração de renda.
A verdadeira prosperidade de uma nação não deve ser medida apenas pela quantidade de pessoas que recebem benefícios, mas também pelas oportunidades oferecidas para que elas possam melhorar de vida.
A democracia exige liberdade e transparência
Outro ponto que merece vigilância é a relação entre o poder público, as redes sociais, a imprensa e as novas tecnologias.
O combate à desinformação deve respeitar as garantias constitucionais. Qualquer proposta de regulamentação da inteligência artificial ou das plataformas digitais precisa ser discutida publicamente, sem transformar fiscalização em censura.
A liberdade de expressão não pertence à esquerda nem à direita. Pertence ao cidadão brasileiro.
Lula enfrenta o julgamento das urnas
O cenário atual demonstra que o presidente terá uma disputa difícil pela frente. Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com votação expressiva, apoio político e competitividade demonstrada em diferentes pesquisas.
Isso não significa que o resultado esteja definido. Significa que nenhum candidato pode reivindicar antecipadamente a vitória.
Lula precisa responder nas urnas pelo governo que fez. Flávio Bolsonaro precisa demonstrar que representa uma alternativa melhor.
E os institutos de pesquisa precisam cumprir sua função com independência, rigor técnico e transparência.
A eleição de 25 de outubro não será decidida por manchetes, discursos ou projeções.
Será decidida pelos brasileiros.
Porque, no final, nenhum presidente é maior que a vontade popular.











