“Eu vou judicializar o Maracanã”: Pedrinho reage a novo veto do Fla-Flu ao Vasco

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Consórcio recusou pedido para semifinal contra o Boca Juniors; presidente vascaíno contesta justificativa sobre o gramado e promete levar disputa novamente à Justiça

Redação MVE

A disputa pelo uso do Maracanã ganhou um novo e mais tenso capítulo. Depois de o consórcio administrado por Flamengo e Fluminense negar ao Vasco o estádio para a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, o presidente vascaíno, Pedrinho, anunciou que pretende judicializar a questão.

O veto para Vasco x Boca, marcado para 20 de outubro, foi o terceiro imposto ao clube em 2026. Anteriormente, pedidos para partidas contra Vitória e Palmeiras, pela Copa do Brasil, também haviam sido recusados. O consórcio aponta como principal justificativa a quantidade de partidas e a necessidade de preservar o gramado.

Vasco sustenta que acordo garante jogos

O centro da disputa é um acordo assinado em 2025 por Vasco, Flamengo e Fluminense. O documento prevê, além dos clássicos entre os três clubes, quatro partidas adicionais do Vasco no Maracanã em 2026. Também estabelece que uma eventual negativa deve ser fundamentada em critérios técnicos e operacionais.

Flamengo e Fluminense apresentam interpretação diferente. O consórcio argumenta que o documento não o vincula juridicamente porque o espaço destinado à assinatura da própria concessionária ficou em branco, embora os três clubes tenham assinado o acordo separadamente.

A discussão, portanto, está longe de ser apenas esportiva: as partes divergem sobre a validade e o alcance jurídico do documento.

Gramado vira centro da disputa

Para negar Vasco x Boca, a administração voltou a citar o desgaste do campo. O argumento é que o calendário exige períodos de recuperação para preservar as condições do Maracanã.

O Vasco questiona a aplicação desse critério. Um dado alimenta a controvérsia: levantamento publicado nesta quinta-feira (1º) mostra que, somente em 2026, o Maracanã recebeu nove vezes partidas separadas por intervalos de até 48 horas. Em uma dessas sequências, foram três jogos em quatro dias.

No período da semifinal da Sul-Americana, o calendário também é apertado: o Fluminense enfrenta o Santos no dia 18 de outubro, dois dias antes de Vasco x Boca; depois, em 22 de outubro, o Flamengo recebe o Estudiantes pela Libertadores.

É justamente a aplicação desses critérios técnicos que deverá estar no centro de uma eventual nova batalha judicial.

Justiça já negou pedido anterior

O Vasco já recorreu ao Judiciário em agosto para tentar mandar contra o Vitória no Maracanã. Na ocasião, a Justiça do Rio rejeitou o pedido de urgência. A decisão não encerrou a discussão sobre o direito de utilização do estádio, mas manteve aquela partida fora do Maracanã.

Agora, a semifinal contra o Boca aumenta o peso da disputa. O Vasco considera que possui direito previsto no acordo, enquanto Flamengo e Fluminense sustentam que podem impedir partidas quando houver justificativa técnica.

Há ainda outro problema para o clube carioca: a Conmebol exige, nas semifinais da Sul-Americana, estádio com capacidade mínima de 30 mil pessoas, enquanto São Januário não alcança atualmente esse patamar. Pedrinho também tenta obter uma flexibilização da entidade para disputar a partida em sua própria casa.

Com posições tão diferentes sobre o mesmo acordo, a discussão sobre quem pode utilizar o estádio mais famoso do Rio de Janeiro pode novamente sair dos bastidores do futebol e terminar nos tribunais.


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