Redação MVE
Manaus (AM) — A campanha do ex-vice-governador Tadeu de Souza (PP) a deputado federal movimenta cifras milionárias na reta final das eleições de 2026. Dados de prestação de contas divulgados nesta semana apontam R$ 2,192 milhões em receitas e aproximadamente R$ 1,346 milhão em despesas contratadas no recorte disponível.
A maior parte dos recursos veio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Foram R$ 2,15 milhões repassados pela Direção Nacional do PP. Entre os registros disponíveis, aparecem ainda R$ 5 mil de recursos próprios do candidato.
Mais de R$ 140 mil em táxi aéreo
Entre as despesas divulgadas estão contratos relacionados a comunicação, produção gráfica, eventos, impulsionamento, contratação de pessoal e mobilização da campanha.
Um dos pontos que chama atenção é o transporte aéreo. Segundo o levantamento publicado pelo CM7, somente dois fornecedores de táxi aéreo somam mais de R$ 140 mil em contratos. A utilização de aeronaves é compatível com campanhas que percorrem o interior de um Estado com as dimensões territoriais do Amazonas, mas os valores integram a prestação de contas submetida à fiscalização eleitoral.
Tadeu declarou ainda patrimônio de aproximadamente R$ 3,1 milhões. Já o limite de gastos informado para sua candidatura a deputado federal é de R$ 3.176.572,53. Portanto, o montante de despesas divulgado permanece abaixo do teto registrado para a candidatura.
Gastos elevados não significam irregularidade
Os números podem justificar escrutínio jornalístico, mas não permitem afirmar que exista ilegalidade. O próprio levantamento que levantou os questionamentos reconhece que, até agora, os dados consultados não comprovam abuso de poder econômico nem irregularidade eleitoral.
A jurisprudência do TSE também diferencia problemas em prestações de contas da configuração de abuso de poder econômico: mesmo irregularidades no uso de recursos eleitorais não levam automaticamente à conclusão de abuso, que exige elementos robustos sobre sua gravidade e capacidade de afetar a disputa.
O ponto que permanece sujeito à fiscalização é outro: verificar se todas as despesas, fornecedores, deslocamentos e serviços efetivamente utilizados pela campanha aparecem corretamente na prestação de contas, conforme as regras da Justiça Eleitoral.
Com mais de R$ 2 milhões em recursos recebidos e uma campanha presente em diferentes municípios do Amazonas, as contas de Tadeu de Souza tornam-se parte relevante da fiscalização pública desta reta final. Até que surjam elementos adicionais, porém, os valores elevados devem ser apresentados como gastos declarados de campanha, e não como evidência de ilícito.
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