Justiça Eleitoral rejeita pedido de Renan Santos para participar do debate da Globo

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Nunes Marques entendeu que emissora não é obrigada a convidar candidato do Missão; partido havia alegado que entrevistas e sabatinas anteriores criaram expectativa de participação

Redação MVE

Brasília – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, rejeitou o pedido apresentado pelo partido Missão para obrigar a TV Globo a incluir Renan Santos, candidato à Presidência da República, no debate presidencial marcado para esta quinta-feira (1º), último antes do primeiro turno das eleições de 2026.

A ação foi apresentada depois de Renan ficar fora da relação de convidados. O Missão argumentou que a própria Globo havia incluído o candidato em outras etapas de sua cobertura eleitoral, entre elas entrevista no Jornal Nacional, sabatina no g1 e participação em programação da GloboNews. Para o partido, essas participações teriam criado uma expectativa de presença também no debate.

Nunes Marques reconheceu argumento, mas negou pedido

Na decisão, Nunes Marques considerou compreensível o argumento apresentado pelo partido sobre uma possível mudança de estratégia da emissora durante a campanha. O ministro concluiu, entretanto, que isso não seria suficiente para obrigar judicialmente a Globo a incluir Renan no encontro.

O ponto central envolve as regras para os debates eleitorais. A legislação assegura participação aos candidatos cujos partidos ou federações preencham o requisito mínimo de representação parlamentar. Quem não alcança esse patamar pode ser convidado pela emissora, mas sua participação não é automaticamente obrigatória.

O Missão possui atualmente apenas um deputado federal, Kim Kataguiri (SP), ficando abaixo do requisito aplicado para participação obrigatória.

Nunes Marques também observou que as regras registradas para o debate deixavam à Globo a possibilidade de convidar outros candidatos, mas não transformavam essa faculdade em obrigação.

Caso de Zema entrou na discussão

A situação ganhou repercussão porque o próprio Nunes Marques havia assegurado a participação de Romeu Zema (Novo) no debate. Há, contudo, uma diferença na representação parlamentar considerada pela Justiça Eleitoral: o Novo alcançou cinco deputados federais em exercício, enquanto o Missão possui apenas um representante na Câmara.

No pedido ao TSE, o Missão também destacou que Renan havia participado de outros eventos eleitorais promovidos pelos veículos do Grupo Globo. A Justiça, porém, não considerou essas participações suficientes para caracterizar um convite específico para o debate.

Renan reage e partido recorre ao STF

Depois da derrota no TSE, Renan Santos reagiu publicamente à decisão e fez duras críticas a Nunes Marques. O candidato afirmou que o ministro estaria “envolvido no caso do Banco Master” e declarou que o lugar do magistrado seria “na cadeia”. Trata-se de uma acusação feita pelo candidato; a decisão eleitoral que o retirou do debate não estabelece qualquer conclusão sobre essa alegação.

A disputa judicial, porém, não terminou no TSE. Após a decisão de Nunes Marques, o Missão acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir a participação de Renan no debate. A ação foi distribuída à ministra Cármen Lúcia.

O debate da Globo está previsto para a noite desta quinta-feira (1º), a apenas três dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A definição sobre a tentativa de Renan de participar do encontro, portanto, entrou nas últimas horas antes do evento.


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