Redação MVE
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira (24) que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O despacho de Fachin é curto e determina apenas que o Ministério Público seja ouvido “no prazo legal”. Somente após o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, deverá ocorrer uma nova decisão sobre a permanência de Andrei no comando da PF.
A medida prolonga um impasse que já dura mais de duas semanas e expôs decisões contraditórias dentro do próprio Supremo.
Mendonça afastou; Dino reintegrou
A crise começou no dia 8 de setembro, quando o ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Mendonça também ordenou a abertura de procedimentos criminais e administrativo-disciplinares para investigar a produção de relatórios de inteligência que supostamente teriam monitorado autoridades envolvidas nas apurações do caso Banco Master. O ministro classificou a possível prática como “arapongagem institucional”.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos dirigentes da Polícia Federal.
No dia seguinte, Flávio Dino concedeu uma decisão reintegrando imediatamente os dois delegados. Fachin, diante do choque entre as ordens dos dois ministros, suspendeu as decisões e assumiu pessoalmente a condução do caso.
Diretor da PF nega investigação ilegal
Fachin concedeu prazo para Andrei Rodrigues apresentar explicações. A resposta foi entregue no dia 11 de setembro.
O diretor-geral negou que a Polícia Federal tenha produzido uma investigação clandestina contra André Mendonça. Segundo Andrei, o relatório de inteligência foi compartilhado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, então relator do inquérito das fake news.
Mesmo após receber a manifestação, Fachin permaneceu 13 dias sem anunciar uma solução. Agora, o presidente do STF decidiu encaminhar o processo à PGR, adiando novamente uma definição.
Ligação anterior com Lula
Andrei Rodrigues possui mais de 20 anos de carreira na Polícia Federal. Antes de assumir a direção da corporação, trabalhou na segurança da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010 e integrou a equipe responsável pela proteção de Lula durante a eleição de 2022.
Desde o início do atual governo, também acompanhou o presidente em viagens internacionais. Esse histórico não representa, por si só, qualquer irregularidade, mas amplia a sensibilidade política de uma decisão sobre sua permanência no cargo.
A sequência de ordens conflitantes entre ministros, seguida da demora de Fachin em apresentar uma solução, transformou o caso em mais um capítulo da crise interna do Supremo. Enquanto isso, permanece sem resposta a questão central: houve ou não uso indevido da estrutura de inteligência da Polícia Federal para monitorar autoridades?











