Dados obtidos pela Polícia Federal a partir da análise do telefone celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, trouxeram à tona detalhes sobre a relação de proximidade entre o empresário e o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). As informações revelam uma rotina de trocas de mensagens afetuosas, organização de eventos privados e articulações nos bastidores de Brasília e do exterior.
Relação de “irmãos” e declarações de lealdade
As conversas recuperadas pelos investigadores mostram um tom de forte intimidade entre as partes. Em diálogos registrados em fevereiro e março de 2025 — período que se seguiu à reeleição de Alcolumbre para o comando do Senado —, o parlamentar refere-se a Vorcaro em tom fraterno, chegando a chamá-lo de “meu amor” e declarando ser seu “irmão pra vida toda”. Em resposta, o ex-banqueiro reafirma o compromisso de lealdade: “A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.
Legenda sugerida: Troca de mensagens afetivas entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro realizada em fevereiro e março de 2025.
Eventos privados, bastidores e o “Grupo Macallan”
Os registros apontam ainda a organização de encontros sociais e festas privadas. Parte dessas combinações ocorria em um grupo de mensagens batizado de “Grupo Macallan”, em referência à famosa marca de uísque escocês, do qual também participava o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria.
Em diálogos datados de outubro de 2023, Faria ironiza a presença do senador no evento: “Foda que o Davi aprendeu a falar pelo Google tradutor e pode assustar a menina”. Vorcaro responde risadaria e a expressão “Bonde do tigrao”.
Legenda sugerida: Diálogo no “Grupo Macallan” mostra descontração entre Fábio Faria e Daniel Vorcaro sobre a presença de Davi Alcolumbre.
A descontração sobre os hábitos do senador nas festas organizadas pelo empresário também era tema de mensagens encaminhadas entre interlocutores. Em um print de outubro de 2024, Vorcaro encaminha uma mensagem que narra: “Davi alcolumbre de mochila bile com canudo com vodka”.
Legenda sugerida: Mensagem encaminhada por Vorcaro a Luiz Rennó relata bastidores das festas privadas.
Patrocínio em Londres e “pacto” de confidencialidade
Entre os episódios citados, destacam-se os preparativos para um evento patrocinado por Vorcaro em Londres, realizado em abril de 2024, à margem do 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias. Na ocasião, foi organizada uma degustação exclusiva da marca Macallan.
Diálogos prévios à viagem mostram que o empresário demonstrou receio quanto ao eventual vazamento da confraternização privada. Em resposta, Fábio Faria sugere alternativas para manter a discrição dos convidados e propõe: “E fazemos um pacto com Davi”.
Legenda sugerida: Troca de mensagens entre Fábio Faria e Vorcaro combinando reservas de suíte e o “pacto” com o senador em março de 2024.
Diálogos sobre reuniões do Banco Central e cobrança de “pressão”
O material recuperado pela Polícia Federal aponta também a mediação de conversas institucionais e articulações políticas envolvendo o setor financeiro. Em mensagens com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em julho de 2025, Vorcaro busca informações sobre uma reunião do Banco Central. Motta relata que o então diretor/presidente do BC, Gabriel Galípolo, havia combinado de ir à casa de Davi Alcolumbre logo após o término do encontro.
Legenda sugerida: Mensagens entre Hugo Motta e Vorcaro em julho de 2025 tratando da reunião do Banco Central e contatos com Alcolumbre.
Na mesma data, Vorcaro cobra atualizações diretamente de Alcolumbre: “Fala irmaozao! Se tiver notícias do nosso amigo me chame!”. O presidente do Congresso responde prontamente indicando atuação direta: “Estou em Cima!!!” e “Pressão!!!”, recebendo emojis de agradecimento do empresário.
Legenda sugerida: Troca de mensagens na qual Alcolumbre afirma estar exercendo “pressão” a pedido de Vorcaro.
O outro lado
Em nota oficial, a assessoria do senador Davi Alcolumbre repudiou a divulgação do conteúdo, classificando as reportagens como um “injusto ataque” baseado em “sensacionalismo barato”. A defesa do parlamentar argumenta que as mensagens tratam de foro pessoal e não apontam qualquer tipo de conduta ilegal ou irregularidade. O presidente do Senado informou ainda que adotará as medidas judiciais cabíveis e que não se deixará intimidar por pressões políticas.
As assessorias das demais autoridades citadas não apresentaram manifestações adicionais sobre o conteúdo do relatório até o fechamento da reportagem.
Leia a nota completa:
“A Revista Veja promove mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional, dessa vez lançando mão de supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma.
“Esse sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos, veio acompanhado da mais absoluta falta de ética da revista, que não cumpriu a regra básica de checar a informação e ouvir a parte atingida. Se fazem isso com um chefe de Poder, é de se imaginar o que estão a fazer com outros indivíduos e instituições.
“No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente.
“O presidente do Senado sabe de onde partiram essas falsas acusações e quais interesses estão por trás dessa ofensiva. Não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública. Irá até as últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida e para que sejam identificados e responsabilizados aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo.
“Medidas judiciais serão tomadas, não só para reparação dos danos causados, mas para a reposição da verdade”.