Por: MVE
Uma nova tecnologia voltada para a medicina diagnóstica e terapêutica promete transformar procedimentos médicos temporários. Cientistas desenvolveram uma bateria inovadora feita à base de papel e materiais biodegradáveis que pode ser engolida para alimentar dispositivos eletrônicos diretamente dentro do organismo, eliminando a necessidade de cirurgias invasivas para a remoção de fontes de energia tradicionais após o uso.
O projeto, detalhado na revista científica Nature Chemical Engineering, busca solucionar um dos grandes entraves no uso de sensores, estimuladores gastrointestinais e chips temporários: a retirada segura dos componentes eletrônicos.
Como funciona a bateria biodegradável?
A estrutura da bateria é projetada em camadas finas e porosas, utilizando nanofibrilas de celulose como aglutinante principal. Por ser construída com compostos que se decompõem de forma gradual no sistema digestivo, ela cumpre sua função de fornecimento de energia e posteriormente se desfaz de maneira segura.
Segundo Giovanni Traverso, diretor do Laboratório de Engenharia Translacional do MIT e coautor do estudo, o revestimento e o design do componente desempenham um papel fundamental, permitindo controlar com precisão a vida útil e o ritmo de degradação funcional da bateria no interior do corpo.
Resultados de testes e próximos passos
Em testes práticos realizados em ambiente biológico (com suínos), a tecnologia demonstrou alto desempenho, conseguindo alimentar equipamentos médicos internos por até três dias consecutivos antes de perder a carga, sem causar danos visíveis aos tecidos dos animais. Em um dos procedimentos monitorados, o dispositivo auxiliou no aumento dos níveis de grelina — o hormônio associado à fome — de forma controlada.
- Padronização: A equipe de pesquisa trabalha agora na padronização do processo de fabricação para permitir que a duração da bateria seja ajustada conforme a necessidade clínica de cada paciente, variando de horas a dias.
- Ensaios Clínicos: Os pesquisadores estimam que os primeiros testes em humanos, focados inicialmente em sistemas de identificação por radiofrequência (RFID), possam ser iniciados em um prazo de dois anos.











