Por Manuel Menezes
O candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) defendeu a criação de uma grande ação integrada contra o narcotráfico nas fronteiras e nos rios da região. A proposta foi apresentada durante o debate realizado pela TV Norte na manhã desta terça-feira (22).
Omar afirmou que a dimensão do problema exige uma operação permanente envolvendo Governo Federal, Governo do Estado, prefeituras, Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e guardas municipais.
Para o candidato, ações isoladas de uma única corporação não são suficientes para enfrentar organizações criminosas que atravessam países, utilizam embarcações, pistas clandestinas e diferentes rotas fluviais para transportar drogas.
“Não é uma questão local. Não é através de uma polícia só que vai resolver”, declarou.
Fronteiras exigem presença nacional
Omar destacou que o Amazonas possui fronteiras com Peru, Colômbia e Venezuela e está próximo das principais áreas produtoras de coca da América do Sul. Segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, o cultivo de coca está concentrado principalmente na Colômbia, no Peru e na Bolívia.
Na avaliação do candidato, a entrada de drogas pelas fronteiras e pelos rios transforma o problema em uma questão de soberania nacional.
“O que tem que ser feito em relação ao combate ao narcotráfico é colocar Aeronáutica, Exército e Marinha, porque se trata de soberania nacional”, afirmou Omar.
A proposta é utilizar a capacidade logística, tecnológica e operacional das Forças Armadas para apoiar o patrulhamento de uma região marcada por grandes distâncias, floresta fechada e milhares de quilômetros de rios.
Estratégia defendida por Omar já apresenta resultados
Operações recentes reforçam a tese de Omar de que a integração é o caminho mais eficiente. Em setembro, a Polícia Federal e a Polícia Nacional do Peru, com apoio das Forças Armadas peruanas, realizaram uma ação conjunta contra o tráfico na região de fronteira.
Em outra operação, forças brasileiras e peruanas inutilizaram 6,2 toneladas de sulfato de cocaína, 12 toneladas de insumos químicos e cinco pistas clandestinas utilizadas por organizações criminosas transnacionais. A ofensiva ocorreu por vias aéreas, fluviais e terrestres.
No Amazonas, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado reúne Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil. A atuação conjunta já alcançou organizações envolvidas com tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e movimentação de drogas entre Tabatinga e Manaus.
Esses resultados mostram que a proposta apresentada por Omar não se limita a um discurso de campanha. Ela acompanha um modelo operacional que já demonstrou capacidade para atingir grandes estruturas criminosas.
Rios precisam de vigilância permanente
Omar também chamou atenção para o uso dos rios Negro e Purus como corredores do tráfico. A geografia amazônica permite que embarcações atravessem longas distâncias e áreas de difícil fiscalização.
Em agosto, uma ação integrada apreendeu aproximadamente 500 quilos de drogas na zona rural de Novo Airão, no Rio Negro. A Polícia Federal informou que o resultado foi possível graças ao compartilhamento de informações entre forças brasileiras e peruanas.
A proposta defendida por Omar prevê inteligência, aeronaves, embarcações, bases fluviais e atuação coordenada. O objetivo é identificar as rotas, interceptar carregamentos e atingir a estrutura financeira das organizações, em vez de combater apenas o comércio de drogas nas cidades.
Guardas municipais fortalecidas no interior
Outra medida anunciada por Omar é treinar, equipar e, dentro das exigências legais, armar guardas municipais do interior.
A intenção é integrar essas corporações à estratégia estadual de segurança, especialmente na proteção das comunidades, no patrulhamento preventivo e no compartilhamento de informações com as polícias.
“Vamos treinar, equipar e armar a Guarda Municipal no interior. Vamos fazer o maior programa de segurança pública”, declarou o candidato.
As guardas não substituiriam as polícias Civil e Militar ou as forças federais. Elas funcionariam como apoio local, ampliando a presença do poder público e ajudando a identificar movimentações suspeitas nos municípios.
Em cidades distantes da capital, os agentes municipais conhecem as comunidades, os portos, as estradas e a movimentação cotidiana. Com treinamento e comunicação integrada, poderão contribuir para que informações cheguem mais rapidamente às autoridades responsáveis pelas investigações.
Combate da fronteira aos bairros
A proposta apresentada por Omar parte da compreensão de que a droga que entra pelas fronteiras abastece facções, provoca disputas territoriais e alimenta roubos, homicídios, lavagem de dinheiro e outros crimes em Manaus e no interior.
Por isso, fechar as rotas do narcotráfico significa também reduzir a força econômica das organizações criminosas que ameaçam as famílias amazonenses.
Ao defender a união das Forças Armadas, polícias e guardas municipais, Omar apresentou uma estratégia proporcional ao tamanho do desafio. Em um estado continental como o Amazonas, o combate ao crime não pode depender de ações improvisadas ou de uma única corporação.
A proposta do candidato é estabelecer comando integrado, inteligência compartilhada e presença permanente do Estado nas fronteiras, nos rios e nos municípios. Para Omar, somente uma operação coordenada e apoiada pelo Governo Federal terá condições de enfrentar o narcotráfico e ampliar a segurança da população amazonense.











