Por: Manuel Menezes
A defesa feita pelo senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), de políticas de manejo sustentável da fauna amazônica abriu uma discussão que atinge diretamente uma das principais preocupações das populações do interior: a preservação do pescado e a criação de alternativas de renda para quem vive dos recursos naturais.
Durante entrevista ao G6, Omar defendeu especificamente o manejo de jacarés e afirmou que a ausência de controle populacional desses animais pode contribuir para a redução da disponibilidade de peixes. O candidato citou como referência a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e defendeu que qualquer exploração seja realizada de maneira controlada e ambientalmente regulamentada.
O debate encontra eco entre candidatos ligados ao interior do estado. Felipe Lobo (MDB), candidato a deputado estadual e natural de Humaitá, tem colocado questões relacionadas à produção e às condições de vida das famílias do interior entre os temas de sua campanha.
Para Felipe, a discussão não deve ficar restrita a Manaus. Municípios do Sul do Amazonas e comunidades espalhadas pelos rios convivem diretamente com mudanças no nível das águas, dificuldades de transporte, períodos de seca e problemas que atingem pesca, agricultura e abastecimento.
Uma realidade conhecida desde a infância
Nascido em Humaitá, Felipe tem sua trajetória ligada a uma região em que rios e comunidades rurais fazem parte diretamente da economia e da vida cotidiana.
É justamente essa origem que pode colocar o candidato em posição de levar à Assembleia Legislativa, caso eleito, demandas específicas do interior relacionadas à pesca, produção familiar, extrativismo e desenvolvimento sustentável.
A proposta apresentada por Omar vai além da retirada controlada de animais. Segundo o candidato ao governo, um modelo devidamente regulamentado permitiria aproveitar comercialmente carne, couro e outros produtos derivados do jacaré, agregando valor econômico à biodiversidade. Omar também afirmou que o Amazonas já enfrenta escassez de pescado e mencionou a entrada de peixe produzido em outros estados.

Experiências de manejo sustentável já existentes no Amazonas mostram, porém, que esse tipo de política depende de critérios científicos, fiscalização, definição de cotas, rastreabilidade e participação das comunidades. Em Mamirauá, experiências anteriores envolveram regras ambientais, treinamento de moradores e acompanhamento das populações das espécies manejadas.
Interior precisa participar da construção das políticas
Para Felipe Lobo, o ponto central é garantir que qualquer projeto dessa natureza tenha participação efetiva das populações que vivem nos territórios envolvidos.
Ribeirinhos, pescadores, extrativistas, produtores e cooperativas conhecem de perto as dificuldades enfrentadas nos períodos de cheia e de seca. Por isso, medidas ambientais capazes de gerar atividade econômica precisam também assegurar que parte relevante da renda permaneça nas próprias comunidades.
O tema ganha ainda mais peso para o Sul do Amazonas, região que Felipe busca representar politicamente e onde a economia de muitas localidades mantém forte relação com rios, produção rural e extrativismo.
Omar e Felipe
A aproximação política entre Omar Aziz e Felipe Lobo também coloca o desenvolvimento do interior entre os pontos de convergência das duas candidaturas. Omar disputa o Governo do Amazonas, enquanto Felipe concorre pela primeira vez a uma cadeira na Assembleia Legislativa.

No atual cenário eleitoral, pesquisas recentes também mostram a força de Omar especialmente no interior. Levantamento Eficaz realizado entre 24 e 27 de agosto registrou 31,1% para Omar entre os entrevistados dos municípios do interior incluídos na pesquisa, contra 21,5% de Roberto Cidade, 19,1% de David Almeida e 14,6% de Maria do Carmo. A pesquisa ouviu 1.517 pessoas, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrada no TSE sob o número AM-04910/2026.
Para Felipe, propostas voltadas ao interior precisam resultar em medidas concretas para quem está na ponta: preservar os recursos naturais, garantir pescado para as próximas gerações e, ao mesmo tempo, criar condições para que as famílias possam produzir e aumentar sua renda.
É nesse debate que o candidato de Humaitá pretende inserir a realidade do Sul do Amazonas na discussão estadual: desenvolvimento econômico e conservação ambiental não precisam seguir caminhos opostos quando as políticas são construídas com conhecimento técnico e participação das comunidades.
“Quem nasceu e viveu no interior sabe que o rio não é apenas paisagem: é alimento, trabalho e sustento de milhares de famílias. A proposta defendida por Omar olha justamente para quem está na ponta. Precisamos proteger nosso pescado, cuidar do meio ambiente e transformar o manejo sustentável em oportunidade de renda para ribeirinhos e produtores. Como filho de Humaitá, conheço essa realidade e quero levar essa voz para a Assembleia Legislativa. O interior não pode ser lembrado apenas na eleição; precisa ser prioridade durante os quatro anos de mandato.” — Felipe Lobo.











