Pontual repete roteiro de 2024 e volta a colocar Roberto Cidade no 2º turno; urnas já desmentiram instituto uma vez

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A três dias da eleição municipal de Manaus, pesquisa colocou Cidade em segundo e Alberto Neto em quarto; resultado oficial inverteu o cenário e deixou o atual governador fora do segundo turno. Agora, Pontual apresenta Cidade com 25,3% na disputa pelo Governo do Amazonas

Por: Redação MVE

MANAUS (AM) — A memória do eleitor pode ser curta, mas os números permanecem registrados.

A pouco menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o Instituto Pontual voltou a apresentar um cenário altamente favorável ao governador Roberto Cidade, colocando-o praticamente lado a lado com Omar Aziz na disputa pelo Governo do Amazonas.

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) aponta Omar Aziz com 26,6% e Roberto Cidade com 25,3%. Como a diferença é de apenas 1,3 ponto percentual e a margem de erro informada é de 1,79 ponto, os dois aparecem tecnicamente empatados. Maria do Carmo registra 18,4% e David Almeida, 14,9%. O levantamento foi realizado entre 5 e 13 de setembro e está registrado sob o número AM-02616/2026.

O problema para Roberto Cidade é que o eleitor amazonense já viu um filme muito parecido.

E não faz muito tempo.

Em 2024, Pontual também colocava Cidade no segundo turno

Voltemos a 3 de outubro de 2024, apenas três dias antes de o eleitor de Manaus comparecer às urnas.

Naquela ocasião, a Pontual publicou sua pesquisa final colocando David Almeida na liderança, com 35,4%, seguido justamente por Roberto Cidade, com 20,5%.

Amom Mandel aparecia com 14,8%.

E Capitão Alberto Neto estava somente na quarta colocação, com 13%.

A leitura divulgada naquele momento era clara: David Almeida e Roberto Cidade caminhavam para o segundo turno.

A própria comunicação política de Cidade explorou o levantamento. Em publicação de 3 de outubro de 2024, seu site de campanha afirmava que ele “segue em direção ao 2º turno” e destacava que pesquisas apontavam seu crescimento.

Três dias depois, quem deu a resposta definitiva não foi instituto algum.

Foi a urna.

As urnas desmontaram o cenário

Com 100% das seções totalizadas, o resultado oficial mostrou:

David Almeida — 32,16%
Capitão Alberto Neto — 24,94%
Amom Mandel — 19,10%
Roberto Cidade — 17,01%

Cidade não ficou em segundo.

Também não ficou em terceiro.

Terminou em quarto lugar.

Recebeu 187.566 votos e ficou 87.497 votos atrás de Capitão Alberto Neto, que conquistou a vaga no segundo turno com 275.063 votos. Os números constam da totalização oficial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

É uma diferença grande demais para ser apagada da memória política justamente quando o mesmo instituto volta a apresentar Cidade em posição privilegiada.

Pontual dava 13% a Alberto; ele terminou com 24,94%

Talvez este seja o número mais desconfortável quando se compara pesquisa e urna.

Três dias antes da votação, a Pontual atribuía 13% a Capitão Alberto Neto.

Nas urnas, ele alcançou 24,94%.

Uma diferença de 11,94 pontos percentuais entre a intenção registrada no levantamento e o resultado eleitoral — ressalvadas, naturalmente, as diferenças metodológicas entre percentual sobre todos os entrevistados numa pesquisa estimulada e percentual de votos válidos na apuração.

Mas o dado politicamente mais relevante independe dessa comparação percentual:

a Pontual colocou Alberto em quarto e Cidade em segundo. A urna colocou Alberto em segundo e Cidade em quarto.

Não foi apenas uma pequena inversão dentro da margem de erro.

Foi uma mudança completa na composição do segundo turno.

E não aconteceu somente na pesquisa final

O histórico mostra que não se tratou de uma fotografia isolada publicada às vésperas da eleição.

Em 13 de setembro de 2024, quase um mês antes da votação, outro levantamento da Pontual apresentava Roberto Cidade com 21,1% e afirmava que ele ocupava a segunda posição.

Naquele levantamento, Amom Mandel tinha 15,8% e Alberto Neto aparecia com apenas 11,3%. A margem de erro divulgada era de três pontos percentuais.

Portanto, durante a reta final daquela eleição, o instituto sustentou repetidamente um cenário no qual Roberto Cidade aparecia em condições de avançar.

A urna mostrou outra realidade.

Outros levantamentos já mostravam cenário diferente

Existe outro detalhe importante que precisa ser lembrado.

Às vésperas da eleição de 2024, os institutos não apresentavam todos a mesma fotografia.

Uma pesquisa AtlasIntel realizada entre 27 de setembro e 2 de outubro daquele ano apresentava Capitão Alberto Neto em segundo lugar, com 22,1%, Amom Mandel com 19,8% e Roberto Cidade apenas em quarto, com 14,5%.

No mesmo período, a Pontual colocava Cidade em segundo e Alberto em quarto.

Quando as urnas foram abertas, a ordem dos quatro primeiros ficou muito mais próxima daquela apontada pela AtlasIntel:

David primeiro.

Alberto segundo.

Amom terceiro.

Cidade quarto.

Isso não prova fraude ou manipulação por parte da Pontual — e seria irresponsável fazer uma acusação dessa natureza sem evidências.

Mas autoriza e exige questionamento jornalístico sobre a precisão de seu histórico recente, principalmente quando o instituto novamente apresenta Roberto Cidade numa posição decisiva.

Agora Cidade aparece praticamente empatado com Omar

Dois anos depois, o cenário se repete sob circunstâncias diferentes.

A Pontual coloca Roberto Cidade com 25,3%, apenas 1,3 ponto atrás de Omar Aziz, que registra 26,6%. Tecnicamente, portanto, há empate considerando a margem declarada pelo instituto.

No recorte do interior, Omar aparece com 31,3% contra 27,3% de Cidade. Em Manaus, a Pontual aponta Cidade numericamente à frente, com 23,4%, enquanto Omar tem 22,4%.

É uma fotografia favorável ao governador.

Mas pesquisa não é urna.

E Roberto Cidade deveria saber disso melhor do que ninguém.

De “segundo turno garantido” ao quarto lugar

Em 2024, Cidade entrou na reta final respaldado por uma poderosa estrutura política e por levantamentos que o apresentavam como candidato competitivo para o segundo turno.

Quando o eleitor votou, terminou atrás de David Almeida, Alberto Neto e Amom Mandel.

Agora, ocupando o Governo do Amazonas e disputando a permanência no Palácio do Governo, Cidade volta a aparecer na Pontual em situação confortável.

Só que existe uma diferença fundamental entre 2024 e 2026:

agora existe um histórico para comparar.

E esse histórico não pode simplesmente desaparecer das manchetes.

Pesquisa merece respeito — e histórico também

Pesquisas eleitorais são fotografias de um determinado momento. Possuem metodologia, amostra, margem de erro e intervalo de confiança. Não são previsões infalíveis do resultado das urnas.

Também não existe, nas fontes consultadas, prova que permita acusar a Pontual de ter deliberadamente favorecido Roberto Cidade em 2024 ou agora em 2026.

Mas isso não elimina uma constatação objetiva:

na reta final de 2024, a Pontual colocou Roberto Cidade no segundo turno. O eleitor o colocou em quarto lugar.

Dois anos depois, o mesmo instituto novamente apresenta Cidade entre os dois principais nomes da disputa.

Pode acertar desta vez?

Pode.

Pode errar novamente?

Também pode.

É justamente por isso que o histórico precisa acompanhar a divulgação dos números.

A urna dará a resposta definitiva

Roberto Cidade pode comemorar os 25,3% registrados pela Pontual.

Sua campanha pode explorar o empate técnico.

Seus aliados podem apresentar o levantamento como sinal de crescimento.

Mas existe um número que nenhuma estratégia de comunicação consegue apagar:

17,01%.

Foi esse o percentual que Roberto Cidade recebeu nas urnas de Manaus em 2024, quando terminou em quarto lugar numa eleição em que a Pontual, três dias antes, o colocava em segundo.

Por isso, talvez a manchete mais importante da pesquisa desta segunda-feira não seja simplesmente que Roberto Cidade está tecnicamente empatado com Omar Aziz.

É que o Instituto Pontual está novamente colocando Roberto Cidade numa posição que, em 2024, as urnas não confirmaram.

No próximo 4 de outubro, pesquisa deixa de ser argumento.

Campanha deixa de ser projeção.

E será novamente o eleitor do Amazonas — não Roberto Cidade, seus aliados ou qualquer instituto — quem dirá quem realmente vai para o segundo turno.