Wilson Lima promete fortalecer a saúde no Senado, mas ainda responde pelo caso dos respiradores no STJ

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Após mais de sete anos no Governo do Amazonas, candidato volta a apresentar promessas para a área marcada por crises e por uma ação penal ainda sem julgamento definitivo

Por: Redação MVE

MANAUS (AM) — O candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) voltou a colocar a saúde pública no centro de seu discurso eleitoral. Durante entrevista concedida ao programa Povo na TV, da TV Norte, nesta quarta-feira (26), o ex-governador afirmou que pretende usar emendas parlamentares para ajudar hospitais e ampliar programas sociais no Amazonas.

Entre as propostas apresentadas está a destinação de recursos para unidades hospitalares e para a manutenção dos restaurantes populares Prato Cheio. Wilson também defendeu que os municípios do interior tenham estruturas semelhantes de segurança alimentar.

As promessas, no entanto, recolocam no debate o histórico de sua administração. Wilson Lima governou o Amazonas de 2019 até abril de 2026, período que incluiu duas graves crises na saúde durante a pandemia e a abertura de uma ação penal relacionada à compra de respiradores.

O candidato terá de explicar ao eleitor por que muitas das necessidades apresentadas agora como prioridades não foram completamente resolvidas durante os mais de sete anos em que comandou o orçamento estadual.

Wilson virou réu no STJ

Em setembro de 2021, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça recebeu, por unanimidade, uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra Wilson Lima e outros investigados.

Com a decisão, o então governador passou à condição de réu na Ação Penal nº 993. O processo trata da aquisição emergencial de 28 respiradores destinados ao atendimento de pacientes durante a pandemia de Covid-19.

O MPF atribuiu a Wilson, em tese, os crimes de dispensa irregular de licitação, fraude em procedimento licitatório, peculato, liderança de organização criminosa e embaraço às investigações.

Segundo o STJ, o suposto superfaturamento teria causado prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres do Amazonas. Equipamentos avaliados na época em aproximadamente R$ 17 mil teriam sido adquiridos pelo governo por mais de R$ 100 mil cada.

O recebimento da denúncia não representa uma condenação. Significa que o tribunal identificou elementos suficientes para permitir a abertura da ação penal e a apuração das acusações apresentadas pelo Ministério Público.

Empresa de vinhos participou da negociação

A negociação dos respiradores chamou atenção porque envolveu uma empresa que atuava no comércio de vinhos e não possuía experiência conhecida na área de equipamentos hospitalares.

De acordo com informações divulgadas pelo STJ, a Sonoar Equipamentos comprou os aparelhos de diferentes fornecedores por cerca de R$ 1 milhão. Depois, os equipamentos foram negociados por R$ 2,4 milhões com a FJAP Importadora, empresa ligada ao ramo de vinhos.

Posteriormente, os respiradores foram vendidos à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas por aproximadamente R$ 2,9 milhões, sem licitação.

O então relator, ministro Francisco Falcão, apontou indícios de que Wilson Lima teria acompanhado e interferido no processo de aquisição. O ministro também destacou que os equipamentos comprados não seriam adequados para atender pacientes em estado grave.

Esses pontos ainda precisam ser julgados definitivamente. Wilson Lima possui direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

Processo principal continua

Em fevereiro de 2025, o STJ rejeitou outra denúncia contra Wilson relacionada ao pagamento de aproximadamente R$ 191 mil pelo transporte aéreo dos respiradores.

Nesse caso específico, a maioria dos ministros entendeu que não havia comprovação do dolo necessário para justificar a abertura de uma nova ação penal. A decisão, porém, não encerrou o processo principal sobre a compra dos equipamentos.

O próprio STJ esclareceu que a denúncia rejeitada tratava apenas do transporte. A Ação Penal nº 993, relacionada à aquisição dos respiradores e ao alegado prejuízo superior a R$ 2 milhões, é um processo diferente.

Em junho de 2026, a ação penal foi redistribuída para a ministra Nancy Andrighi. Recursos apresentados pelas defesas foram incluídos na pauta virtual da Corte Especial prevista para ocorrer entre os dias 2 e 8 de setembro.

Não existe, até o momento, condenação definitiva contra Wilson Lima nesse processo.

Promessas exigem respostas

Ao prometer novas verbas para hospitais, restaurantes populares e programas sociais, Wilson Lima tenta apresentar sua experiência no Executivo como credencial para chegar ao Senado.

O discurso, contudo, também abre espaço para questionamentos sobre transparência, fiscalização e aplicação do dinheiro público. O eleitor precisa saber quais mecanismos o candidato pretende adotar para evitar desperdícios, direcionamentos e suspeitas sobre o uso das emendas parlamentares.

Também permanece uma pergunta inevitável: se Wilson comandou o Governo do Amazonas por mais de sete anos, por que problemas estruturais da saúde continuam sendo apresentados como promessas de campanha?

Agora, o ex-governador busca uma vaga no Senado dizendo que pretende fortalecer justamente uma das áreas mais criticadas de sua administração. O passado da pandemia e o processo dos respiradores, porém, deverão acompanhar o candidato durante a campanha.