“Lula 4 pode virar um novo Dilma 2”, alerta advogado ao criticar política econômica do governo Federal

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email
Leonardo Alves Canuto aponta risco de agravamento do desequilíbrio fiscal e questiona medidas que, segundo ele, podem aumentar a dependência da população em relação ao Estado

Por: Redação MVE

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode enfrentar, em um eventual quarto mandato, problemas econômicos semelhantes aos registrados no segundo governo de Dilma Rousseff. O alerta foi feito pelo advogado especialista em direito tributário Leonardo Alves Canuto, em entrevista ao PoderDataCast, do Poder360.

Segundo Canuto, algumas das medidas adotadas pelo governo em 2026 possuem justificativas técnicas, mas outras apresentariam viés eleitoral, com potencial de ampliar despesas e dificultar o equilíbrio das contas públicas.

“Eu acredito que nós estamos preparados para viver um outro Dilma, sem dúvida nenhuma. Até porque a matemática não aceita certas extravagâncias”, afirmou.

Risco de aumento do déficit

Na avaliação do advogado, benefícios e despesas criados ou ampliados sem um planejamento de longo prazo podem provocar um aumento progressivo do déficit público.

Canuto argumenta que medidas que reduzem receitas precisam ser compensadas posteriormente pelo governo, o que poderia resultar em novos impostos ou aumento da carga tributária.

“Todo benefício que é desenhado nesse momento vai ter que ser recomposto por uma outra tarifação, por uma outra injeção de capital”, declarou.

A crítica ganha peso em um cenário eleitoral, no qual medidas econômicas com impacto imediato sobre a renda da população podem influenciar a percepção dos eleitores.

Críticas à reforma tributária

O advogado também fez duras críticas à condução da reforma tributária brasileira, classificando o processo como uma “catástrofe” e afirmando que mudanças e adiamentos podem aumentar a insegurança para cidadãos, empresários e investidores.

Na visão de Canuto, o excesso de burocracia e a presença do Estado podem dificultar a capacidade do setor privado de gerar riqueza e empregos.

Ele também alertou para o risco de políticas públicas criarem uma dependência cada vez maior da população em relação ao governo.

Eleitor começa a cobrar mais qualidade de vida

Durante o mesmo debate, o diretor de Pesquisa do Instituto Locomotiva, João Paulo Resende da Cunha, afirmou que o eleitor brasileiro, especialmente o de menor renda, está mais exigente.

Segundo o pesquisador, a população que conquistou maior acesso ao consumo e a programas de transferência de renda agora começa a cobrar qualidade dos serviços públicos, maior segurança financeira e melhoria efetiva da qualidade de vida.

Esse cenário pode representar um desafio adicional para o governo Lula em 2026: não basta anunciar benefícios, segundo a análise apresentada no programa; o eleitor tende a avaliar também o custo de vida, o endividamento e a capacidade do governo de melhorar suas condições concretas.

O fantasma de Dilma volta ao debate

A comparação com o segundo governo Dilma Rousseff é particularmente sensível. Ao afirmar que o Brasil pode estar caminhando para um “novo Dilma 2”, Canuto coloca no centro da discussão o risco de desequilíbrio fiscal, aumento de despesas e necessidade de novas fontes de arrecadação.

Para a oposição ao governo Lula, o alerta reforça a tese de que medidas populares em período eleitoral podem produzir uma conta elevada no futuro.

O debate sobre a economia, portanto, deve ocupar espaço cada vez maior na eleição de 2026, especialmente diante da disputa sobre gastos públicos, impostos, programas sociais, dívida e poder de compra dos brasileiros.