EDITORIAL: O uso do aparelho público como palanque e o isolamento diplomático do Brasil

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Por: Manuel Menezes

É cada vez mais nítido o desconforto de uma parcela significativa da sociedade brasileira com a utilização de eventos oficiais do governo para a promoção de pautas puramente ideológicas. O que deveria ser um ato republicano, pautado pelo interesse comum e pela representação da nação, tem se transformado, com frequência, em um palanque político que ignora a liturgia do cargo e o necessário equilíbrio diplomático.

Recentemente, assistimos a mais um exemplo dessa conduta. Ao transformar uma solenidade oficial em um espaço para ataques pessoais a figuras do cenário internacional, o atual governo não apenas desmerece a formalidade que o evento exigia, como também coloca em risco a diplomacia brasileira. Referir-se a líderes estrangeiros, como Donald Trump, com termos como “pirata” — seja em que contexto for — é uma atitude que foge dos padrões de estadista.

A política externa de um país não pode ser pautada por preferências ou animosidades pessoais do ocupante do Palácio do Planalto. Quando o chefe de Estado utiliza o púlpito oficial para agredir lideranças de nações que são parceiras comerciais estratégicas do Brasil, o país se isola e perde credibilidade. O governo parece ignorar que a economia nacional não pode ser refém de uma narrativa ideológica que prioriza o confronto em vez do pragmatismo necessário.

O cidadão brasileiro, que busca estabilidade e resultados concretos, observa com preocupação essa guinada. O Palácio do Planalto não é sede de campanha eleitoral, nem o governo deve funcionar como um braço de militância partidária. As relações diplomáticas exigem, acima de tudo, equilíbrio e respeito à soberania das escolhas de outros povos.

Se o objetivo é projetar o Brasil no mundo, o caminho não é o da agressão verbal ou da rotulagem ideológica, mas o da seriedade e do compromisso com o desenvolvimento nacional. É hora de o governo compreender que o Brasil é maior do que as convicções de um único grupo político. O respeito ao cargo que ocupa exige, minimamente, que o presidente se porte como um líder de todos os brasileiros, e não como um articulador de palanques ideológicos que só trazem prejuízos à imagem do nosso país.