Por: Manuel Menezes
A segunda audiência pública promovida pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) no Lago do Uruapiara, zona rural de Humaitá, reuniu moradores de mais de oito comunidades ribeirinhas, lideranças locais e representantes do poder público para debater os graves impactos provocados pelas frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica na região.
A ação integra um procedimento coletivo instaurado pela Defensoria Pública para apurar denúncias sobre a precariedade do serviço prestado às comunidades do interior do município. Durante o encontro, moradores relataram dificuldades enfrentadas diariamente devido aos constantes apagões, que afetam desde a conservação de alimentos até o acesso a serviços essenciais.
Entre as participações que ganharam destaque estiveram as das secretarias municipais de Saúde (SEMSA) e de Educação (SEMED), que apresentaram os reflexos diretos da falta de energia no atendimento à população ribeirinha.
Saúde aponta riscos à vida e prejuízos no combate à malária
Representando a Secretaria Municipal de Saúde, a enfermeira Redija Lima destacou que a interrupção do fornecimento de energia compromete um dos principais instrumentos de atendimento às comunidades: a comunicação.
Segundo ela, em uma região marcada por grandes distâncias e difícil acesso, a internet e os meios de comunicação são fundamentais para que moradores consigam solicitar ajuda em situações de urgência e emergência.

“Dentro do Lago do Uruapiara, ficar sem comunicação e sem internet é colocar a vida das pessoas em risco. É através da comunicação que elas conseguem entrar em contato com os nossos agentes de saúde e acionar ajuda em caso de uma urgência, emergência ou qualquer necessidade de socorro. Sem essa comunicação, a gente não consegue atuar e as pessoas ficam vulneráveis”, afirmou.
A representante da SEMSA também chamou atenção para os prejuízos causados no diagnóstico e tratamento da malária, doença que continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública na região.
“Outro ponto dentro da saúde é a impossibilidade dos nossos microscopistas trabalharem. Eles utilizam microscópios que precisam estar conectados à energia. Sem isso, não conseguem realizar o diagnóstico nem iniciar o tratamento. E nós sabemos que, no caso da malária, um tratamento retardado coloca em risco a vida dos pacientes”, ressaltou.
Educação reforça dificuldades enfrentadas nas comunidades
A Secretaria Municipal de Educação também participou da audiência por meio da pedagoga Patrícia Kethleen Pinto de Almeida, que acompanhou os relatos dos moradores e as discussões promovidas pela Defensoria Pública.
A presença da SEMED reforçou que os impactos da falta de energia vão além da área da saúde e atingem diretamente o processo educacional das comunidades ribeirinhas. Escolas da região dependem da energia elétrica para o funcionamento de equipamentos, acesso à internet, armazenamento de materiais e desenvolvimento das atividades pedagógicas.
Representando a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), a pedagoga Patrícia Kethleen Pinto de Almeida ressaltou que os constantes apagões também afetam diretamente a educação nas comunidades ribeirinhas, prejudicando o acesso à internet, o uso de equipamentos escolares e o desenvolvimento das atividades pedagógicas.

“A falta de energia afeta diretamente o processo de ensino e aprendizagem nas comunidades ribeirinhas. As escolas dependem da eletricidade para utilizar equipamentos, acessar conteúdos pela internet e desenvolver diversas atividades pedagógicas. Quando o fornecimento falha, quem mais sofre são os alunos, que acabam tendo seu aprendizado prejudicado. Garantir energia de qualidade nessas comunidades também é garantir educação, inclusão e oportunidades para nossas crianças e jovens.”
Defensoria reúne informações para buscar soluções
A audiência pública realizada no Lago do Uruapiara faz parte de uma série de ações conduzidas pela Defensoria Pública para ouvir diretamente a população afetada e reunir informações que possam subsidiar medidas administrativas e judiciais voltadas à melhoria do fornecimento de energia elétrica nas comunidades rurais de Humaitá.

Ao reunir moradores, lideranças comunitárias e representantes da SEMSA e da SEMED, a Defensoria evidenciou que os constantes apagões deixaram de ser apenas um problema de infraestrutura. Os relatos apresentados demonstram que a situação impacta diretamente a saúde, a educação, a comunicação e a qualidade de vida das famílias ribeirinhas.
A expectativa dos participantes é que os depoimentos coletados durante a audiência fortaleçam as ações em busca de soluções definitivas para um problema que há anos afeta as comunidades do Lago do Uruapiara e de outras regiões rurais de Humaitá.
