Por: Manuel Menezes
A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo, elevou o tom das críticas contra a atual estrutura de poder no estado e lançou um dos ataques mais duros já feitos ao grupo político ligado ao governador Roberto Cidade. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, a empresária questionou a nomeação do novo secretário de Saúde, cobrou transparência na gestão pública e afirmou que o Amazonas precisa se libertar daquilo que classificou como “velha política”.
Segundo Maria do Carmo, a população amazonense está cansada de assistir aos mesmos grupos ocupando espaços estratégicos dentro da administração pública enquanto problemas históricos continuam sem solução.
“Mais uma tentativa de enganar a população. Só esqueceram de um detalhe: o povo acordou. E o tempo da velha política está chegando ao fim”, declarou.
A pré-candidata afirmou que tem recebido apoio crescente de diversos setores da sociedade e disse que muitos servidores e trabalhadores manifestam apoio ao seu projeto de forma reservada por receio de represálias.
Questionamentos sobre a Saúde
Durante sua fala, Maria do Carmo direcionou críticas à área da Saúde, considerada uma das mais sensíveis da administração estadual. Ela afirmou ter recebido denúncias envolvendo o novo secretário e questionou possíveis relações entre atividades empresariais e contratos com o poder público.
Sem apresentar provas durante o pronunciamento, a empresária defendeu que os fatos sejam esclarecidos e que haja total transparência sobre a atuação dos gestores responsáveis pela saúde dos amazonenses.
“Como alguém pode assumir uma secretaria tão importante e ao mesmo tempo ter negócios ligados ao próprio governo? A população merece respostas”, afirmou.
A declaração atinge diretamente um dos setores mais estratégicos da atual administração e amplia o debate sobre critérios de escolha para cargos de alta responsabilidade dentro do Executivo estadual.
“Estado loteado por interesses políticos”
Maria do Carmo também acusou grupos políticos de utilizarem a máquina pública para atender interesses específicos, prejudicando a eficiência da gestão e limitando oportunidades para profissionais e empresários que não possuem vínculos com o poder.
Segundo ela, o Amazonas vive um modelo político ultrapassado, onde estruturas públicas são controladas por grupos que se revezam no comando do Estado há décadas.
“O governo não pode funcionar como uma empresa privada de grupos políticos. Existem milhares de profissionais qualificados e empresários sérios que poderiam contribuir com o Amazonas”, declarou.
Discurso de ruptura
A pré-candidata voltou a defender a necessidade de renovação política e apresentou sua eventual candidatura como uma alternativa aos grupos tradicionais que dominam o cenário estadual.
Em uma das declarações mais fortes do pronunciamento, Maria do Carmo afirmou acreditar que uma mulher poderá liderar um novo momento para o Amazonas.
“Vai ser uma mulher que vai libertar o Amazonas da velha política”, disse.
A fala reforça uma das principais bandeiras que a empresária vem adotando nos últimos meses: a de que o estado precisa romper com práticas que, segundo ela, contribuíram para o agravamento dos problemas enfrentados pela população.
Clima eleitoral esquenta
As declarações ocorrem em meio ao aumento das movimentações políticas para as eleições de 2026. Com o cenário estadual cada vez mais polarizado, lideranças começam a ocupar espaço no debate público e a apresentar suas críticas às atuais administrações.
Ao desafiar diretamente o grupo político ligado a Roberto Cidade e levantar questionamentos sobre a gestão da Saúde, Maria do Carmo sinaliza que pretende ocupar o campo da oposição e explorar temas que afetam diretamente a população.
“O povo não está apenas cansado. O povo está ferido. Mas é justamente nos momentos mais difíceis que nasce a esperança de mudança”, concluiu.
As declarações ampliam a pressão sobre o governo estadual e demonstram que a disputa pelo comando do Amazonas já começou muito antes do período oficial de campanha.
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