A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um caso que chocou moradores do Gama e ganhou repercussão nacional após a descoberta de um suposto esquema envolvendo exercício ilegal da profissão de nutricionista, falsificação de documentos e desvio de dinheiro de idosos. A principal acusada é Thainah Ohana dos Santos Maia, de 34 anos, investigada por extorquir mais de R$ 130 mil dos próprios avós, ambos de 87 anos.
Segundo as investigações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama), Thainah utilizava a relação de confiança com os avós para controlar completamente as finanças do casal. De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ela ocultava informações bancárias, realizava transferências via Pix para contas pessoais e ainda falsificava extratos bancários para enganar as vítimas.
O caso começou a ser apurado após a avó da investigada registrar ocorrência em janeiro de 2025 ao perceber o desaparecimento de aproximadamente R$ 87 mil de sua conta poupança. Desconfiando da própria neta, a idosa pediu a apresentação de extratos bancários. Segundo a denúncia, Thainah imprimiu um documento verdadeiro, mas alterou manualmente os valores utilizando caneta para simular que o dinheiro ainda estava disponível.
As investigações apontam ainda que a suspeita realizava diversas transferências bancárias diretamente das contas da avó para contas ligadas a ela. Além disso, teria manipulado documentos financeiros do avô, deixando de pagar contas essenciais como água, energia elétrica, IPTU e IPVA, gerando uma dívida acumulada superior a R$ 31 mil.
Outro ponto que chamou atenção da polícia envolve um tratamento odontológico prometido ao avô da acusada. Segundo os autos, Thainah convenceu o idoso a realizar um procedimento de extração dentária avaliado em cerca de R$ 30 mil, afirmando que arcaria com os custos. O tratamento chegou a ser iniciado, mas a acusada não retornou à clínica para continuidade do atendimento e tampouco realizou o pagamento devido.

A polícia também descobriu que a investigada apresentava extratos bancários falsificados ao avô. Em um dos casos, um documento indicava que a vítima possuía R$ 346 mil em conta, quando na realidade o saldo disponível era de pouco mais de R$ 2,7 mil.
Além das acusações relacionadas aos avós, Thainah também passou a ser investigada por exercício ilegal da profissão. Conforme denúncia do MPDFT, ela atuava havia pelo menos dois anos como nutricionista sem possuir diploma na área ou registro profissional válido.
Nas redes sociais e grupos de mensagens, a investigada divulgava amplamente seus atendimentos utilizando cartões personalizados e informando um suposto número de registro no Conselho Regional de Nutrição (CRN). No entanto, ao consultar o número informado, a identificação encontrada pertencia a outra pessoa com nome semelhante.
Segundo a Polícia Civil, Thainah realizava atendimentos presenciais e on-line, elaborava planos alimentares, fazia exames de bioimpedância, prescrevia suplementos e indicava fórmulas manipuladas para clientes. Um paciente ouvido pela investigação afirmou que a acusada também promovia rifas e campanhas de arrecadação alegando necessidade de custear tratamentos médicos da mãe.
Ao mesmo tempo, de acordo com testemunhas, a investigada anunciava a venda de itens luxuosos em grupos do condomínio onde morava. A polícia identificou ainda que as chaves Pix utilizadas para arrecadações e vendas não estavam registradas em nome da acusada nem da mãe citada por ela.
Diante dos fatos levantados, Thainah Ohana dos Santos Maia foi indiciada por falsa identidade e estelionato, além de responder pelas acusações relacionadas ao exercício ilegal da profissão. Até o momento, não há defesa apresentada oficialmente no processo registrado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).











