O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, decidiu barrar nesta quinta-feira (21) a leitura dos requerimentos para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o escândalo envolvendo o Banco Master. A decisão provocou forte reação de parlamentares da oposição e ampliou a crise política em Brasília.
Durante sessão conjunta do Congresso, deputados e senadores pressionaram pela leitura imediata dos pedidos, que já teriam atingido o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento interno. Mesmo assim, Alcolumbre afirmou que a definição sobre a leitura e instalação da comissão é uma prerrogativa da presidência da Casa.
Pressão cresce dentro do Congresso
A tentativa de instalação da CPMI ganhou força após o avanço das investigações sobre supostas irregularidades financeiras, relações políticas e movimentações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Nos bastidores, parlamentares afirmam que o caso já deixou de ser apenas um escândalo financeiro e passou a representar uma disputa direta pelo controle político do Congresso Nacional.
Segundo relatos de parlamentares presentes na sessão, houve pressão intensa para que Alcolumbre autorizasse a leitura dos requerimentos ainda nesta semana. O presidente do Congresso, no entanto, rejeitou os pedidos e sustentou que o ato depende exclusivamente da Mesa Diretora.
Oposição acusa tentativa de blindagem
Integrantes da oposição passaram a acusar a cúpula do Congresso de tentar retardar ou até impedir o avanço das investigações. Parlamentares afirmam que o bloqueio da CPMI aumenta suspeitas de proteção política em torno do caso.
Hoje existem diversos requerimentos protocolados para investigar o Banco Master, incluindo pedidos apresentados tanto por parlamentares governistas quanto por oposicionistas. Parte deles já alcançou o número necessário de assinaturas para abertura formal da comissão.
Nos corredores do Congresso, aliados da oposição afirmam que a demora na instalação da CPMI fortalece a percepção de interferência política sobre o tema.
Caso Banco Master amplia desgaste institucional
O escândalo envolvendo o Banco Master se tornou um dos assuntos mais explosivos da política nacional em 2026. Investigações e vazamentos recentes colocaram o nome de figuras influentes do meio político, empresarial e institucional no centro das discussões.
Além das pressões no Congresso, o caso também gerou movimentações no Supremo Tribunal Federal (STF), na Polícia Federal e em outras comissões parlamentares que já investigam esquemas relacionados ao sistema financeiro e possíveis conexões políticas.
Parlamentares favoráveis à CPMI argumentam que a investigação é necessária para esclarecer:
- possíveis fraudes financeiras;
- relações políticas envolvendo o banco;
- atuação de autoridades;
- movimentações suspeitas ligadas a fundos e contratos públicos;
- conexões reveladas em operações policiais.
Governo teme desgaste político
Nos bastidores, líderes governistas demonstram preocupação com o impacto político que uma CPMI poderia gerar em pleno ano de forte tensão institucional e disputa eleitoral antecipada.
A avaliação de parte da base governista é que uma investigação parlamentar dessa magnitude poderia produzir desgaste prolongado, abrir novas frentes de crise e atingir nomes próximos ao poder.
Já setores independentes do Congresso defendem que impedir a instalação da comissão pode aumentar ainda mais a pressão pública por transparência.
Alcolumbre vira alvo de críticas
A postura de Davi Alcolumbre passou a ser alvo direto de críticas dentro e fora do Congresso. Parlamentares afirmam que o presidente da Casa estaria utilizando o controle da pauta para evitar que o caso avance formalmente.
Em resposta, aliados de Alcolumbre afirmam que o Congresso tinha como prioridade a votação de vetos presidenciais e matérias ligadas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), consideradas urgentes para municípios brasileiros.
Crise deve continuar
Mesmo sem avanço imediato da CPMI, o tema deve continuar dominando os bastidores de Brasília nos próximos dias. A oposição já articula novas estratégias para pressionar pela leitura dos requerimentos e ampliar o desgaste político da presidência do Congresso.
Analistas avaliam que a resistência em instalar a comissão pode transformar o caso em uma crise ainda maior, aumentando a polarização política e alimentando novas disputas entre Congresso, governo e setores do Judiciário.











