O Banco Central iniciou uma nova ofensiva contra o mercado bilionário das apostas ilegais no Brasil e passou a monitorar movimentações financeiras ligadas a bets sem licença, incluindo plataformas do chamado “jogo do tigrinho”.
A medida marca uma das maiores ações de fiscalização já realizadas contra o setor e ocorre após pressão do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou falhas graves na fiscalização do mercado clandestino de apostas online.
Sistema usado contra golpes do Pix agora mira apostas ilegais
Segundo informações divulgadas nesta semana, bancos e instituições financeiras passarão a utilizar o sistema “Fraud Marker” — já empregado no combate a fraudes via Pix — para identificar:
- apostadores;
- intermediadores financeiros;
- empresas suspeitas;
- e operadores de bets ilegais.
A nova estrutura permitirá rastrear toda a cadeia financeira das plataformas clandestinas.
Quem fizer depósitos em sites ilegais também poderá receber marcações internas nas instituições bancárias, embora o Banco Central afirme que o monitoramento seguirá regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“Jogo do tigrinho” vira símbolo da explosão das apostas
Entre os principais alvos da nova fiscalização está o Fortune Tiger, popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”.
O jogo se tornou um fenômeno nacional após influenciadores digitais promoverem promessas de ganhos rápidos nas redes sociais.
Investigações apontam que:
- aplicativos falsos;
- plataformas hospedadas fora do Brasil;
- e campanhas agressivas nas redes
ajudaram a impulsionar o crescimento do jogo entre jovens e pessoas endividadas.
Nos bastidores do governo, existe preocupação crescente com:
- lavagem de dinheiro;
- evasão fiscal;
- vício em jogos;
- e uso de bets por organizações criminosas.
Mercado ilegal movimenta até R$ 40 bilhões por ano
Relatório citado pelo TCU estima que o mercado ilegal de apostas movimenta entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões anuais no Brasil.
O volume impressiona autoridades porque representa quase metade de todo o dinheiro movimentado no setor de apostas do país.
Segundo o Banco Central:
- muitas plataformas operam sem autorização;
- não pagam impostos;
- e utilizam sistemas financeiros paralelos para driblar a fiscalização.
Governo endurece fiscalização após explosão das bets
O endurecimento ocorre após a regulamentação oficial do setor por meio da chamada “Lei das Bets”, sancionada em 2023.
A legislação passou a exigir:
- autorização federal;
- controle financeiro;
- regras de publicidade;
- monitoramento de lavagem de dinheiro;
- e proteção dos apostadores.
Atualmente, apenas plataformas autorizadas podem atuar legalmente no país e precisam utilizar o domínio “.bet.br”.
Mesmo assim, milhares de sites ilegais continuam funcionando normalmente na internet.
Influenciadores e bets também entram no radar
A expansão das apostas online também colocou influenciadores digitais no centro das investigações.
A CPI das Bets no Senado chegou a propor:
- indiciamentos;
- proibição de jogos como o “tigrinho”;
- e punições para empresários e divulgadores ligados ao setor.
Nos bastidores, investigadores afirmam que plataformas clandestinas utilizam:
- influenciadores;
- perfis de fofoca;
- marketing agressivo;
- e anúncios patrocinados
para atrair usuários, especialmente jovens.
Bancos terão prazo até dezembro
O Banco Central determinou que:
- até 30 de outubro, instituições deverão monitorar operações envolvendo criptoativos;
- e até 1º de dezembro, todo o sistema de rastreamento deverá estar funcionando plenamente.
Além das apostas esportivas, o monitoramento também acompanhará:
- empréstimos;
- serviços financeiros;
- e transações ligadas a operadores suspeitos.
Cerco pode atingir bilhões do mercado clandestino
Especialistas avaliam que a nova ofensiva do Banco Central representa uma tentativa de sufocar financeiramente as bets ilegais.
A estratégia do governo é bloquear:
- fluxo de dinheiro;
- contas bancárias;
- publicidade;
- e acesso financeiro das plataformas clandestinas.
Enquanto isso, o “jogo do tigrinho” segue como símbolo da explosão descontrolada das apostas online no Brasil — um mercado que cresceu rapidamente, movimenta bilhões e agora entra definitivamente na mira das autoridades financeiras e policiais do país.











