O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) autorizou a instalação do canteiro de obras para a construção da ponte sobre o rio Igapó-Açu, no quilômetro 268 da BR-319, no município de Borba. A medida representa um novo avanço em uma das obras mais aguardadas da rodovia que liga Manaus a Porto Velho e considerada estratégica para a integração do Amazonas ao restante do país.
A licença foi concedida à Construtora Etam Ltda e permite a implantação da estrutura de apoio da obra, incluindo serviços de terraplenagem e unidade de produção de concreto em uma área estimada em 2,9 hectares.
Ponte deve substituir travessia por balsas
A futura ponte terá cerca de 320 metros de extensão e deverá substituir o atual sistema de balsas utilizado na travessia do rio Igapó-Açu, considerado um dos principais gargalos logísticos da BR-319, especialmente durante o período chuvoso.
Motoristas, caminhoneiros e moradores da região enfrentam há anos dificuldades no trecho conhecido como “trecho do meio”, apontado como a área mais crítica da rodovia devido às condições de trafegabilidade, lama e longas filas de espera para travessia.
A expectativa do governo estadual e de setores produtivos é que a nova estrutura reduza o isolamento logístico do Amazonas e facilite o transporte de pessoas, mercadorias e insumos entre Manaus, Rondônia e outras regiões do país.
Obra reacende debate sobre BR-319
A BR-319 voltou ao centro do debate nacional nos últimos meses após novos avanços em projetos de infraestrutura e licenciamento ambiental. Enquanto defensores da rodovia afirmam que a estrada é fundamental para o desenvolvimento econômico e integração regional, ambientalistas demonstram preocupação com possíveis impactos ambientais e aumento do desmatamento na Amazônia.
Discussões sobre a pavimentação e ampliação da BR-319 dividem opiniões há décadas. De um lado, lideranças políticas e setores empresariais defendem melhorias imediatas na estrada. De outro, especialistas ambientais alertam para riscos de expansão da grilagem, exploração ilegal de madeira e ocupação irregular em áreas sensíveis da floresta amazônica.
Licença impõe regras ambientais
Segundo o IPAAM, a licença emitida possui validade de um ano e estabelece diversas condicionantes ambientais para execução da obra. Entre elas estão o monitoramento de resíduos sólidos, controle de emissões atmosféricas e acompanhamento técnico dos efluentes produzidos durante a construção.
O órgão também informou que a autorização atual não permite supressão vegetal nem intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs), medidas que dependerão de novas autorizações específicas.
Além da ponte sobre o rio Igapó-Açu, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também recebeu recentemente licença do IBAMA para construção de outras três pontes no trecho do meio da BR-319, ampliando o conjunto de obras previstas para a rodovia.










