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Morte de jovem no Alvorada reacende debate sobre câmeras corporais na PM do Amazonas

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Caso do jovem Carlos André, morto durante abordagem policial em Manaus, volta a pressionar autoridades sobre implantação de câmeras corporais para garantir transparência nas ações policiais

A morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, durante uma abordagem policial no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, reacendeu o debate sobre a implantação de câmeras corporais nos uniformes da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).

O caso ganhou grande repercussão após imagens de câmeras de segurança mostrarem momentos da abordagem realizada por policiais militares na madrugada do dia 19 de abril. As gravações passaram a ser fundamentais para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas.

De acordo com o inquérito policial, o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier foi indiciado por homicídio com dolo eventual, quando há assunção do risco de matar. A investigação aponta que o disparo fatal partiu do policial durante a ação.

Além do procedimento criminal, a própria PMAM informou ter instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos na ocorrência.

Debate sobre câmeras corporais volta à tona

A repercussão do caso fez crescer novamente a pressão de especialistas, entidades de direitos humanos e parte da população pela adoção de câmeras corporais nos uniformes da Polícia Militar amazonense.

Defensores da medida afirmam que os equipamentos podem aumentar a transparência das abordagens, proteger tanto policiais quanto civis e ajudar na produção de provas em ocorrências envolvendo uso da força.

O debate não é novo no Amazonas. Em 2023, após outra ocorrência de grande repercussão envolvendo policiais militares, especialistas já defendiam a implementação da tecnologia no estado. Estudos citados à época apontavam redução significativa de mortes em intervenções policiais em estados que adotaram o sistema.

Uma pesquisa publicada recentemente na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação destacou que o uso de câmeras corporais pode fortalecer mecanismos de controle policial, ampliar a transparência institucional e reduzir conflitos durante abordagens.

Imagens foram decisivas no caso

Segundo familiares da vítima, a versão inicial apresentada no local seria de que Carlos André teria sofrido um acidente de trânsito. No entanto, imagens de monitoramento e a perícia começaram a contradizer essa narrativa, aumentando a cobrança por esclarecimentos.

As gravações de câmeras instaladas na rua ajudaram a reconstruir a dinâmica da ocorrência e se tornaram peça central para o indiciamento do policial militar.

Nas redes sociais e em fóruns online, o debate sobre o uso obrigatório de câmeras corporais voltou a ganhar força, com muitos internautas defendendo a medida como instrumento essencial de fiscalização das ações policiais.

Amazonas ainda não implantou tecnologia

Apesar das discussões recorrentes, o Amazonas ainda não possui um programa amplo de utilização de câmeras corporais na Polícia Militar.

Em entrevistas anteriores, representantes da corporação chegaram a mencionar a intenção de realizar testes com os equipamentos, mas até o momento não houve implantação efetiva em larga escala.

Enquanto isso, casos como o de Carlos André seguem alimentando o debate público sobre segurança, transparência e controle das ações policiais no estado.