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ChatGPT ativa cookies de marketing por padrão e levanta alerta sobre privacidade de usuários gratuitos

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A decisão da OpenAI de ativar cookies de marketing por padrão para usuários gratuitos do ChatGPT acendeu um novo debate global sobre privacidade digital, uso de dados e monetização de plataformas de inteligência artificial.

A mudança faz parte de uma atualização recente na política de privacidade da empresa, que agora permite o uso de cookies e identificadores digitais — como IDs de dispositivo — para promover produtos da própria OpenAI em sites e plataformas externas. Na prática, isso significa que usuários gratuitos poderão ser impactados por campanhas publicitárias baseadas no uso da ferramenta.

Segundo informações divulgadas, a funcionalidade já vem ativada automaticamente para usuários do plano gratuito, enquanto assinantes de planos pagos não têm essa configuração habilitada por padrão. A medida reforça uma estratégia clara da empresa: transformar parte da enorme base de usuários gratuitos em assinantes pagantes.

Apesar da mudança, a OpenAI afirma que não compartilha conversas com anunciantes nem vende dados sensíveis dos usuários. O que passa a ser utilizado são informações limitadas, como identificadores digitais e dados de navegação, com o objetivo de medir a eficácia de campanhas e personalizar anúncios.

A empresa também destaca que os anúncios e estratégias de marketing não influenciam as respostas do ChatGPT, que continuam sendo geradas de forma independente. Além disso, os usuários podem desativar esse tipo de rastreamento nas configurações da plataforma ou por meio de mecanismos de privacidade reconhecidos.

A decisão ocorre em um momento em que a OpenAI acelera sua estratégia de monetização. Desde o início de 2026, a empresa já vinha testando anúncios dentro do próprio ChatGPT, especialmente para usuários gratuitos, em um movimento alinhado com o mercado de tecnologia, onde gigantes buscam novas formas de financiar serviços baseados em inteligência artificial.

Por trás da mudança está um desafio evidente: sustentar uma plataforma com centenas de milhões de usuários ativos, muitos deles sem pagar pelo serviço. A introdução de publicidade e o uso de dados para marketing surgem, nesse contexto, como alternativas para garantir receita e expansão.

Ainda assim, a decisão levanta questionamentos importantes. Especialistas alertam que, embora os dados compartilhados sejam limitados, a ativação automática de cookies de marketing pode gerar preocupação entre usuários, especialmente em um cenário global cada vez mais sensível à proteção de dados pessoais.

No fim, o movimento da OpenAI sinaliza uma mudança mais ampla no setor de inteligência artificial: o avanço de um modelo onde serviços gratuitos passam a ser sustentados, cada vez mais, por publicidade e estratégias de dados.

E isso coloca uma nova questão no centro do debate digital: até que ponto a conveniência da inteligência artificial vale o preço da privacidade.