Por: [Manuel Menezes]
Em um cenário político onde a representatividade muitas vezes fica no campo do discurso, a confirmação da deputada Alessandra Campêlo como vice na chapa encabeçada por Omar Aziz surge como um marco prático e simbólico para o Amazonas. Mais do que uma estratégia eleitoral, a escolha é um reconhecimento da urgência em pautar o estado sob a ótica de quem chefia a maioria dos lares amazonenses: as mulheres.
Uma Trincheira Contra a Violência
Alessandra Campêlo não é uma novata no enfrentamento de temas áridos. Sua trajetória parlamentar é marcada pela defesa intransigente das mulheres, transformando seu mandato em uma verdadeira trincheira de resistência contra a violência doméstica e a misoginia.
Ao longo dos anos, a deputada não escolheu adversários por classe social; enfrentou agressores de todos os estratos, dos mais humildes aos mais poderosos, consolidando-se como a voz de quem, por muito tempo, foi silenciada pelo medo. Sua presença na chapa majoritária sinaliza que o combate ao feminicídio e a busca pela igualdade de gênero deixam de ser “pautas acessórias” para se tornarem prioridade de governo.
O Retrato do Amazonas em Números
A escolha de Alessandra é, acima de tudo, estatisticamente justa. Os dados apresentados pelo sociólogo Lúcio Carril reforçam essa necessidade:
- 50,01% dos lares do Amazonas são chefiados por mulheres.
- Em Manaus, esse número sobe para 53,6%.
- As mulheres representam 51,5% do eleitorado.
Diante desses números, a ausência de uma mulher com o histórico de Alessandra no centro das decisões seria um contrasenso democrático. Ter uma vice-governadora que compreende as dificuldades da mulher trabalhadora e da mãe solo é dar voz à maioria real da população.
Biografias Cruzadas: Do Movimento Estudantil ao Poder Executivo
Para as novas gerações, é importante destacar que a união entre Omar e Alessandra não é fruto do acaso, mas de uma coerência histórica. Ambos forjaram suas carreiras na efervescência do movimento estudantil da UFAM:
- Omar Aziz: Liderança ativa nos anos 80.
- Alessandra Campêlo: Protagonista das lutas estudantis no final dos anos 90.
Essa base comum no ativismo juvenil confere à chapa uma identidade de luta social e conhecimento profundo das demandas da juventude amazonense.
O Desconforto dos “Cuecões” e a Inevitabilidade do Futuro
Como bem pontuou Carril, a resistência de alguns setores à indicação de Alessandra é o sintoma de uma cultura machista que ainda se incomoda com o protagonismo feminino. No entanto, o recado é claro: as mulheres não estão pedindo licença; elas estão ocupando espaços por direito e competência.
O apoio a Alessandra Campêlo transcende a questão partidária. É um apoio à emancipação feminina e ao fortalecimento de políticas públicas que protejam a vida. Quando uma mulher com a força de Alessandra avança, toda a sociedade — incluindo os homens que buscam um estado mais justo — deve comemorar.
”As mulheres continuarão lutando e conquistando seus espaços, queiram os cuecões ou não.” — Lúcio Carril, Sociólogo.
O Amazonas parece estar pronto para entender que o lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive no comando do Estado.











