O jornal Folha de S.Paulo afirmou, em editorial publicado na noite desta sexta-feira, 13, que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar buscas contra um jornalista do Maranhão representa um uso arbitrário do poder e ameaça a liberdade de imprensa.
A publicação reagiu à operação da Polícia Federal contra o Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo Blog do Luís Pablo, em São Luís. A ação ocorreu no âmbito do chamado inquérito das fake news, aberto pelo STF em 2019.
No texto, a Folha afirma que “ímpeto censório e corporativismo se combinam de modo abominável” na decisão de Moraes. Ela resultou na apreensão de celulares e computadores do jornalista.
A investigação e a decisão de Moraes

A investigação está relacionada a reportagens publicadas por Luís Pablo em novembro de 2025. O blog relatou um suposto uso, pelo ministro Flávio Dino, colega de Moraes no STF, e por familiares, de um carro custeado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.
Para a Folha, a reação judicial não se justifica, independentemente da qualidade da reportagem. O editorial sustenta que “não passa de puro arbítrio qualificar como possível crime de perseguição […] o que é apuração jornalística e escrutínio do poder protegido nas democracias pela liberdade de imprensa”.
Segundo o jornal, autoridades que se sintam prejudicadas por reportagens têm instrumentos legais para contestar as informações ou pedir reparação. A adoção de medidas policiais, afirma o texto, caracteriza “uma tentativa de intimidação”.
Mais críticas da Folha
O editorial também registra críticas públicas de entidades representativas da imprensa à operação. Entre as organizações citadas, estão a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editoras de Revistas (Aner), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Maranhão.
A Folha entende que o STF desempenhou um bom papel de enfrentamento a ataques às instituições da República em anos recentes. Apesar disso, o fato não autoriza ministros da Corte a se colocarem acima de críticas públicas. “Não autoriza seus ministros a se pretenderem imunes a críticas e questionamentos”, afirma o editorial.
O jornal também critica o sigilo do processo contra o jornalista e a falta de critérios claros para distinguir atividade jornalística de abusos envolvendo dados sensíveis de autoridades. Segundo a publicação, essa indefinição “dá margem à intimidação e à censura”.
Ao final, a Folha invoca a Constituição para reforçar sua crítica. O jornal lembra que o texto constitucional estabelece que é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.











