A política amazonense, marcada por ciclos de poder e gestos que deixam feridas abertas, volta a colocar frente a frente dois personagens que têm uma história mal resolvida: David Almeida e Omar Aziz. A eleição de 2026 pode ser o momento em que David finalmente ajusta contas com um episódio que definiu sua trajetória e que, até hoje, é lembrado nos bastidores como um dos maiores vetos políticos da última década.
Em 2017, durante a eleição suplementar para o Governo do Amazonas, convocada após a cassação de José Melo, o então presidente da Assembleia Legislativa, David Almeida, despontava como um nome competitivo dentro do PSD. Ele havia assumido interinamente o governo, mostrado boa capacidade administrativa e ganhado apoio popular. Era, para muitos, o candidato natural do partido.
Omar Aziz, líder do PSD no Estado e principal fiador das decisões partidárias, vetou a candidatura de David.
Em vez de apostar no próprio quadro da sigla, Omar costurou um movimento pragmático e surpreendente: fechou apoio a Amazonino Mendes, que disputaria e venceria aquela eleição.
O gesto foi interpretado por aliados de David como um corte abrupto no seu crescimento político. Para muitos, aquele veto deslocou o rumo natural da sucessão e adiou o protagonismo de David na política estadual.
Apesar da frustração de 2017, David reagiu. Em 2020, venceu a Prefeitura de Manaus e consolidou-se como uma das maiores lideranças políticas do Estado. A relação com Omar, entretanto, nunca mais foi a mesma.
Nos últimos anos, os dois seguiram caminhos divergentes. Omar se consolidou como um dos nomes fortes da esquerda e do lulismo no Amazonas; David, por sua vez, reconstruiu pontes, ampliou alianças e tentou se aproximou de setores do centro e da direita estabelecendo um novo eixo político.
Com a disputa pelo Governo do Amazonas cada vez mais clara e com David Almeida e Omar Aziz entre os principais protagonistas, cenário de 2026 cria uma espécie de reencontro histórico.
Se ambos confirmarem suas candidaturas, David terá, pela primeira vez, a chance de enfrentar Omar em igualdade de condições e, mais do que isso, provar que seu nome poderia e deveria ter sido apostado em 2017.
A política é cíclica. E, desta vez, o ciclo coloca Omar e David no mesmo ringue.
Se a memória de 2017 ainda pesa e tudo indica que pesa, a eleição de 2026 não será apenas uma disputa pelo governo. Será também a reedição de um capítulo mal resolvido, uma chance para David de uma reparação histórica e o teste definitivo de forças entre dois dos nomes mais influentes do Amazonas contemporâneo.
David espera sua vez há quase uma década e agora o jogo voltou para as suas mãos.











