Imane Khelif, homem biológico que disputou a categoria feminina nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, entrou com recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS) contra a nova regra da World Boxing. A entidade passou a exigir testes de feminilidade para atletas que desejam competir em torneios internacionais de boxe.
Khelif, que levou o ouro em Paris, tenta anular a norma que obriga a comprovação cromossômica antes das lutas. O pedido busca liberar sua participação, que se apresenta como “boxeadora”, para o Campeonato Mundial de 2025 sem exame prévio, mas o tribunal já rejeitou a suspensão imediata da decisão.
O CAS, por outro lado, ainda não marcou a data da audiência.
Em 20 de agosto, o ex-empresário de Khelif, Nasser Yesfah, chegou a anunciar que a atleta se aposentaria. O motivo da parada era justamente a exigência dos testes, nos quais ela não consegue aprovação para competir nas categorias femininas.
World Boxing endurece regras para a categoria feminina
A regulamentação exige que todas as atletas maiores de 18 anos façam um teste PCR para determinar o sexo de nascimento. Sem ele, portanto, elas não podem disputar torneios oficiais. A World Boxing também será responsável pelo boxe nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
No Mundial de Liverpool, na Inglaterra, que começa na quinta-feira 4, Khelif tenta garantir participação, mas a chance é mínima. A entidade já havia barrado a argelina em junho do torneio de Eindhoven, nos Países Baixos.
Outra atleta envolvida na polêmica, a taiwanesa Lin Yu-ting, aceitou se submeter aos exames. “Eles anunciaram que todos devem passar por eles, então nós também passaremos”, disse o treinador, Tseng Tzu-chiang.
Vantagem física de Imane Khelif
Em 2023, Khelif foi reprovada em testes de gênero da Associação Internacional de Boxe (IBA), que indicaram cromossomos XY. Mesmo assim, o Comitê Olímpico Internacional (COI) o autorizou a lutar em Paris, questionando a validade dos exames anteriores.
O presidente da IBA, Umar Kremlev, afirmou que os testes comprovaram o sexo masculino. Já o COI contestou os resultados, alegando falta de clareza nos procedimentos.
Em novembro de 2024, veio à tona outro relatório médico que confirmou que Khelif tem cromossomos XY, testículos e genitália masculina. O documento foi elaborado por uma parceria entre o hospital Kremlin-Bicêtre, em Paris, e o hospital Mohamed Lamine Debaghine, na Argélia.
Dois endocrinologistas revelaram que Imane tem deficiência de 5-alfa redutase, transtorno que ocorre em homens biológicos. Os níveis de testosterona superiores aos femininos garantem vantagem física aos atletas masculinos.











