Um dia após o vereador Zé Ricardo (PT) declarar, em entrevista ao Política em Foco, haver fortes indícios de fraudes nas eleições do Partido dos Trabalhadores no Amazonas, o jornal Folha de São Paulo comparou o pleito da sigla ao regime ditatorial da Coreia do Norte.
Segundo o caderno Painel, escrito pelo jornalista Fábio Zanini, o resultado na eleição vencida pelo deputado estadual Sinésio Campos – reeleito para o terceiro mandato consecutivo – “obteve resultados típicos de regimes totalitários como a Coreia do Norte”.
A crítica repercutida por um veículo nacional reforça as denúncias de ilegalidades realizadas pelo vereador de Manaus, Zé Ricardo, filiado à sigla e segundo colocado no pleito. Em entrevista ao Foco, nesta terça-feira (22), o parlamentar explicou as possíveis irregularidades.
“A gente percebe fraudes, procedimentos inadequados e antiéticos, a gente questiona isso, buscamos recursos nas instâncias regionais e nacionais, porque não podemos aceitar algumas práticas em alguns municípios, porque não podemos aceitar a força do poder econômico, nem interferências de poderes públicos externos”, disse Zé Ricardo.
Segundo o jornalista, Campos teve 100% dos votos em cinco cidades amazonenses: Guajará, Juruá, Maraã, Pauini e Tapauá. Nestas localidades, pequenas cidades em que menos de 200 eleitores votaram, nenhum dos sete concorrentes recebeu votos, nem houve brancos ou nulos.
Além destas cidades, o deputado estadual teve margem expressiva de votação comparado a concorrentes em outros municípios do interior do Amazonas.
Durante a entrevista, Zé Ricardo relatou que em alguns municípios eleitores não foram votar, mas alguém votou por eles, e que são práticas que o processo eleitoral democrático não aceita.
As margens improváveis levantaram suspeitas de fraude na eleição interna do partido no estado. Campos, da corrente interna do PT, teve 60,7% do total do Amazonas e foi reeleito no primeiro turno, no dia 6 de julho.
O Foco entrou em contato com a assessoria do deputado solicitando esclarecimentos sobre o posicionamento do parlamentar acerca da veiculação da Folha, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto.











