Os opositores que estão refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, atualmente sob custódia do Brasil, denunciaram nesta terça-feira (1º) que o regime do ditador Nicolás Maduro bloqueou a entrada de água potável na sede diplomática. Segundo os asilados, agentes de segurança da ditadura chavista estão impedindo a entrega de galões de água potável há pelo menos três semanas, agravando uma situação já considerada crítica no local.
De acordo com Magallí Meda, uma das cinco opositoras abrigadas na embaixada desde março de 2024, policiais da Direção de Ações Estratégicas e Táticas (DAET) e agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) estão retendo os caminhões de distribuição de água por horas.
“Os deixam esperando uma e duas horas para, depois, dizerem que não há autorização de despachar”, revelou Meda.
A opositora afirmou ainda que essa já é a terceira semana consecutiva em que o fornecimento é impedido, e alertou que “só resta uma mínima reserva” de água potável no local. Meda classificou a atitude das autoridades chavistas como uma grave escalada na repressão contra os direitos básicos de um ser humano.
“Se atreveram a simplesmente negar o acesso a água potável. Muito grave, é uma linha vermelha que não tinham se atrevido a cruzar”, lembrou.
Além disso, ela reiterou que a sede diplomática continua sem eletricidade desde novembro do ano passado, quando, segundo os opositores, a estatal Corpoelec “roubou” os fusíveis elétricos do local.
Omar González, outro dos opositores refugiados, também denunciou o bloqueio e alertou sobre o agravamento das condições no local: “Sem água corrente nem eletricidade, a situação é crítica. Nossas vidas correm perigo! Não deixem que ocorra outra desgraça!”, publicou em sua conta na rede social X.
Além de Meda e González, também estão na embaixada Pedro Urruchurtu, Claudia Macero e Humberto Villalobos — todos colaboradores da líder opositora María Corina Machado. Eles se refugiaram no local em 20 de março de 2024, após a Procuradoria venezuelana emitir ordens de prisão contra eles.
No dia seguinte, também buscou abrigo na residência diplomática o ex-ministro dos Transportes e Comunicações, Fernando Martínez Mottola, que permaneceu no local até 19 de dezembro de 2024, quando decidiu se apresentar voluntariamente à Procuradoria. Em fevereiro deste ano, ele faleceu após sofrer uma hemorragia intracerebral, segundo relataram os opositores.
Desde agosto de 2024, a embaixada está sob proteção do governo brasileiro, após o regime de Maduro expulsar todo o corpo diplomático argentino. No entanto, em setembro, a ditadura venezuelana revogou a autorização dada ao Brasil, acusando os asilados de planejarem supostos “atos terroristas” no interior da sede.
Mesmo com a revogação, o governo Lula afirmou que continuará garantindo a “custódia e defesa dos interesses” da Argentina até que o presidente Javier Milei designe outro Estado que seja aceito por Caracas.
Atualmente, os opositores sobrevivem com alimentos enlatados e contam apenas com um pequeno painel solar, usado para alimentar um ventilador e carregar celulares. A situação, segundo denunciam, se torna mais insustentável a cada dia.