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Mulher de Moraes nega ter recebido mensagem de Vorcaro e coloca em xeque versão apresentada pelo ministro

Uma nova controvérsia envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ganhou repercussão após a própria esposa do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes, afirmar que não recebeu a mensagem atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi feita por meio de nota divulgada pela assessoria da advogada e acabou enfraquecendo a explicação apresentada anteriormente pelo ministro sobre a origem e a organização de mensagens que passaram a circular no contexto das investigações relacionadas à CPI do INSS. Segundo Moraes, prints de mensagens enviadas por Vorcaro a diversos interlocutores teriam sido armazenados em pastas digitais junto com os contatos das pessoas que supostamente receberam os textos, material que posteriormente teria sido compartilhado com a comissão parlamentar. No entanto, no material analisado pela CPI, a mensagem em que o banqueiro pergunta “alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” aparece armazenada em uma pasta associada ao contato de Viviane Barci. A advogada, porém, foi categórica ao negar qualquer comunicação. “Não recebi as referidas mensagens”, afirmou em nota. A negativa cria um ponto de contradição entre as duas versões, já que a explicação do ministro sugeria uma associação direta entre os arquivos encontrados e os possíveis destinatários. Dúvidas sobre interpretação dos dados Especialistas em análise forense digital apontam que a presença de arquivos em uma mesma pasta dentro de programas de investigação não significa necessariamente que exista relação direta entre remetente e destinatário. O material citado foi processado por meio do IPED, um software desenvolvido pela Polícia Federal há mais de uma década para extração e análise de dados em dispositivos eletrônicos. Esse tipo de ferramenta organiza arquivos com base em semelhanças de dados e padrões digitais — o que pode resultar em agrupamentos automáticos de arquivos que compartilham características semelhantes, sem necessariamente indicar que houve comunicação entre as partes. Essa interpretação técnica acabou reforçando dúvidas sobre a explicação inicialmente apresentada. Outras negativas ampliam questionamentos A controvérsia também envolve outros nomes citados no material. O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá (PSD-TO) também aparecem associados a mensagens atribuídas a Vorcaro, mas negam qualquer contato com o banqueiro. As negativas ampliam o debate sobre a forma como os dados foram interpretados e apresentados. Relação profissional chama atenção Outro elemento que trouxe maior atenção ao caso é a relação profissional entre o banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci. Reportagens da imprensa nacional apontam que o Banco Master mantinha um contrato estimado em R$ 129 milhões com o escritório, envolvendo atuação jurídica em tribunais superiores e também em órgãos da administração pública federal, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até o momento, no entanto, não há detalhamento público completo sobre quais serviços foram efetivamente prestados dentro desse contrato. STF ainda não respondeu A assessoria de comunicação do Supremo Tribunal Federal foi procurada para comentar a contradição entre as versões, mas até o momento não houve retorno oficial. A ausência de esclarecimento institucional mantém o episódio em aberto e alimenta questionamentos no meio jurídico e político sobre a consistência das informações apresentadas no caso. Enquanto isso, o episódio segue sendo acompanhado de perto por parlamentares e analistas políticos, especialmente por envolver uma investigação com repercussão nacional e nomes ligados ao alto escalão das instituições brasileiras.