Redação MVE
Na reta final da disputa pelo Governo do Amazonas, David Almeida (Avante) decidiu intensificar os questionamentos às pesquisas eleitorais. Em transmissão realizada nesta quarta-feira (30), o candidato afirmou que os institutos já teriam errado no passado e declarou que “a pesquisa que vale é a de domingo”, em referência à votação de 4 de outubro.
A reação acontece em um momento delicado para sua candidatura. Na pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro, David aparece com 11% das intenções de voto, atrás de Omar Aziz, com 29%, Professora Maria do Carmo, com 19%, e Roberto Cidade, com 18%.
David caiu de 15% para 11%
O dado que torna o discurso ainda mais relevante é a trajetória registrada pelo próprio instituto. Na Quaest de agosto, David tinha 15%. No levantamento seguinte, caiu numericamente quatro pontos, para 11%.
David prefere colocar os levantamentos sob suspeita.
Durante a live, lembrou a eleição municipal de Manaus de 2024 e argumentou que pesquisas daquele período não anteciparam corretamente a composição do segundo turno. “Se eu fosse depender desses institutos de pesquisas, eu não seria prefeito de Manaus”, declarou.
A comparação, porém, precisa ser feita com cautela. Pesquisa eleitoral não é resultado antecipado da eleição. Trata-se de uma fotografia estatística do período em que as entrevistas foram realizadas, sujeita a margem de erro e às mudanças de opinião dos eleitores até o dia da votação.
Quando o número incomoda, a pesquisa deixa de valer?
É justamente aí que surge a cobrança política sobre David.
Questionar metodologia, amostragem ou divergências entre institutos é legítimo. O que precisa ser apresentado ao eleitor é qual aspecto técnico do levantamento estaria errado, e não apenas a lembrança de uma eleição anterior cujo resultado final foi diferente de determinados levantamentos.
A Quaest ouviu 804 eleitores do Amazonas entre 20 e 23 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número AM-01856/2026.
Além disso, David já vinha contestando pesquisas antes desta semana. Em agosto, depois de outro levantamento no qual perdeu posições, voltou a recorrer ao resultado da eleição municipal de 2024 para relativizar os números apresentados naquele momento.
Discurso mira adversários
David também aproveitou a transmissão para atacar o que chama de “velha política”, responsabilizando adversários por problemas históricos do interior do Amazonas e apresentando sua passagem pela Prefeitura de Manaus como credencial para comandar o Estado.
A estratégia coloca uma contradição política no centro da reta final: enquanto o candidato tenta convencer o eleitor de que representa uma força competitiva para chegar ao segundo turno, a pesquisa Quaest mais recente registrou movimento numérico contrário, de 15% para 11%. Isso não determina o resultado das urnas, mas é o retrato produzido pelo levantamento naquele período.
David está correto em um aspecto: a eleição será decidida pelos votos depositados nas urnas, não pelas pesquisas. Mas até domingo, os levantamentos registrados continuam sendo instrumentos públicos de medição das intenções de voto — e, quando seus resultados são contestados, cabe aos candidatos apresentar argumentos concretos para explicar por que consideram que eles não refletem adequadamente o cenário eleitoral.
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